O desporto enquanto meio educativo e de transformação carrega um valor incalculável no desenvolvimento de uma sociedade que atravessa um período extremamente difícil. Contudo, enquanto este fenómeno for visto de uma forma estática e padronizada, em que a prática desportiva consiste numa lista de princípios e processos estereotipados, este efeito transformativo e evolutivo nunca será rentabilizado na totalidade. A atividade desportiva surge na versatilidade racional do Homem, ou seja, um ser que consegue pensar, associar e decidir e não uma máquina que responde respeitando rigorosamente um padrão definido. Se a vontade é promover o fenómeno e o espetáculo competitivo e motivar os jovens para a prática, é necessário muito mais do que este conjunto de princípios e fases de um jogo que parece ser mais do que certo. A incerteza do resultado, a criação de situações novas e o exigir a leitura, a análise e a reflexão por parte do desportista é que o motiva e transforma. De forma contrária, a atividade desportiva perde para o interesse e novidade constante das consolas e jogos de vídeo, que cativam os miúdos dia após dia, tornando as gerações de desportistas cada vez mais reduzidas e menos expressivas. Num presente em que o desporto parece estar a perder expressão e a degradar se, o futuro é incerto. A perceção que fica é de que as modalidades desportivas estão a receber cada vez menos praticantes, uma situação, sem dúvida, preocupante. É necessário repensar e antecipar de forma prospetiva, o que se pretende nos próximos anos do mundo desportivo e concluir, se continuam as metodologias padronizadas ou se passamos a englobar o Homem como um todo, capaz de responder a qualquer tipo de problema ou situação crítica, se assim for estimulado.

Derek Freitas, Colaborador da AAUMa