Há algumas semanas assistiu-se a um episódio polémico em que o Primeiro-Ministro “convidou” os professores Portugueses a emigrar. Independentemente de serem consideradas acusações graves por parte de alguns sectores da política, a verdade, é que estas são naturais se tivermos em conta as previsões demográficas do país. É inevitável que a emigração surja. Defendo que a escolha de palavras não foi a mais adequada, pois assim dá a impressão que o Governo nada faz para arranjar solução. Se calhar a melhor opção seria o Governo referir que facilitaria a colocação dos interessados no estrangeiro. Isto no fundo, significa que o primeiro-ministro tinha três alternativas: ou convidava os professores a mudar de emprego, ou os convidava a emigrar, ou ignorava os factos e prometia aos professores que a situação no futuro seria melhor, mesmo sabendo que isso era mentira. Claramente a terceira alternativa foi, sem surpresa a preferida por alguns partidos, dada a tradição sólida estabelecida nesta matéria pelos anteriores governantes, esperando que tudo corresse bem mesmo quando todos os factos que se conheciam apontavam para o contrário. No entanto, é responsabilidade dos governantes mostrar às pessoas as reais alternativas que se lhes apresentam e não inventar opções que não vão existir nem num futuro próximo nem distante! Para mim como estudante, a emigração é uma saída, mas não a única. A escolha é nossa! Há certamente muitas oportunidades lá fora, países interessantíssimos, setores em crescimento e propostas profissionais concretas com bom prognóstico de carreira. Para tal, só temos de sair da nossa zona de conforto. Simples? Nada é simples quando se trata de planos que podem afectar permanentemente a nossa vida. Mas não devemos ter medo de arriscar. Estamos numa altura em que a proactividade, o empreendedorismo e o risco ponderado são a chave para o sucesso. É de lamentar o simples facto de que a emigração tenha chegado à mão de obra qualificada, que faz com que tantos talentos abandonem o país à procura de condições para trabalhar. Mas a verdade é de que Portugal, como qualquer outro país, sempre esteve exposto ao risco da fuga de talentos por via da globalização e não por via desta crise.

Vitor Andrade, Colaborador da Associação Académica da UMa