Areforma curricular deste governo assenta nos mesmos erros estratégicos das anteriores, isto é, cada ministro impõe a sua proposta e conta pouco com os contributos das instituições que participaram na consulta pública. A educação é uma das áreas mais estruturantes para o desenvolvimento do nosso país, não obstante, continua a ser tratada ao sabor das conjunturas e ao gosto pessoal dos senhores ministros. Esta incerteza e instabilidade só serão travadas quando a sociedade, os partidos, o governo e todos os agentes educativos se comprometerem com um pacto social para a educação. Embora o ministério nunca tenha sido capaz de empreender uma avaliação crítica ao seu próprio trabalho, bem como às sucessivas reformas curriculares, para que fosse possível corrigir os erros aferidos e rentabilizar o que existisse de positivo, continua a valorizar no ensino, e muito bem, as questões relacionadas com a avaliação. Exige melhores resultados sumativos aos alunos, mais responsabilidades aos professores e às escolas. Mas… e ao ministério? Nada! Os resultados objetivos no ensino são uma realidade incontornável, têm de surgir e não podem ser mascarados. Todavia, torna-se um erro, ao nível de Crasso, abandonar os restantes pilares da educação e da aprendizagem, que não são mensuráveis nem contabilizados na nota obtida nos exames. Refiro-me à avaliação contínua formativa dos alunos, à aquisição de competências, de múltiplas capacidades para se adaptarem a novas situações e à aprendizagem de outros saberes que promovam um desenvolvimento integral. Em suma, os jovens precisam de adquirir as qualificações necessárias para enfrentarem as exigências reais do quotidiano. Os alunos não procuram na escola apenas um diploma que certifica um conjunto de saberes teóricos, importantes, mas insuficientes para garantir o sucesso na vida do saber-fazer!

Rui Caetano, Professor