O Programa de Ajustamento Económico e Financeiro da Região Autónoma da Madeira foi aplicado sem atender às especificidades da ilha do Porto Santo, concretamente à sua condição de dupla insularidade. O aumento das taxas de IVA e do ISP terá grande impacto no Turismo, motor da nossa pequena economia insular, já constatado na Páscoa com o decréscimo do número de visitantes provenientes do mercado regional, contribuinte crucial para o referido sector. Junta-se às medidas acima referidas, o corte no subsídio de insularidade da grande maioria dos funcionários públicos da ilha. Essa redução no rendimento das famílias foi nalguns casos dupla, ao afectar os dois membros do casal. Sabendo-se de antemão que a maioria da população activa da ilha exerce nas áreas do funcionalismo público e do comércio e serviços, facilmente se conclui que estas medidas terão efeitos muito negativos no sector do comércio e serviços locais. A equação é simples: paga-se mais e ganha-se menos, logo há menos rendimento disponível e por consequência a economia local sufoca lentamente. Se medidas destas têm impacto gravoso numa economia como a madeirense, depreende-se a seriedade do impacto que terá numa economia com o tecido empresarial e social bastante mais frágil e dependente, como é a do Porto Santo. Desconheço um plano para o crescimento e para o emprego. A crescer, só mesmo o desemprego. Subsiste a resignação e o marasmo. A Páscoa era o balão de oxigénio, mas este ano o balão ficou-se por uma lufada de ar fresco.
Renata Sousa, Vereadora PS no P. Santo