'Alberto para a rua, Marítimo continua'. Foi assim, a 25 de Maio de 1997, vão completar-se 15 anos no próximo mês, que o presidente do Governo Regional e do PSD sentiu, pela primeira vez, o descontentamento público por uma decisão que se preparava para tomar. Os maritimistas que enchiam o Estádio dos Barreiros disseram, alto e em bom som, um estrondoso não ao clube único. A cada golo verde-rubro viravam-se para a tribuna e obrigaram Alberto João Jardim a uma retirada apressada que o impediu de ver a vitória do Marítimo sobre o Gil Vicente.

Mesmo que o jornal do regime tenha chamado 'cadastrados' aos que gritavam e só tenha conseguido contar 'meia dúzia' de contestatários - uma das muitas vergonhas que nem a Diocese consegue absolver - o certo é que não houve clube único e o presidente do Governo e do PSD recuou em toda a linha.

Foi preciso que o calendário andasse quase 15 anos, para se repetir um episódio semelhante. Desta vez em relação à Câmara Municipal do Funchal e à escolha do cabeça-de-lista social-democrata. Da certeza da escolha de Sérgio Marques e da varridela completa dos vereadores da Albuquerque, passou-se, em poucas semanas, a um apoio assumido a Bruno Pereira que de dispensável passou a 'candidato natural' do partido. Mais uma debandada apressada das tropas de Jardim, deixando para trás armas e bagagens.

O ainda líder do PSD-M pode dizer o que lhe apetecer, negar as evidências e até procurar convencer os que forem suficientemente seguidistas e acéfalos para acreditarem que tudo foi 'inventado' pelo DIÁRIO - nos Barreiros foi a mesma cosia, lembram-se? -, que não há forma de disfarçar este recuo. Perdeu em toda a linha na batalha da Câmara do Funchal e de pouco valeu ter pedido ao seu candidato a líder do partido, Manuel António Correia que assinasse a capitulação.

Tal como na questão do clube único - uma aberração que só cabia na cabeça de quem não conhecia os madeirenses -, alguém deve ter conseguido convencer o chefe de que insistir num comportamento totalitário poderia significar perder o Funchal. Para os tais independentes 'inventados' pelo DIÁRIO.