Períodos de seca, como a que temos vivido nos últimos meses, em particular em época em que a chuva devia abundar, não são inéditos e, de vez em quando, lá vem um ano mais ou menos chuvoso ou mais ou menos seco. A propósito recordo que, logo no primeiro dia do ano, o senhor Pestana, um homem com sabedoria acumulada já durante noventa anos, do alto do seu quase metro e noventa, note-se bem na vertical, como é hábito no convívio após a missa dominical, respondeu à pergunta de um dos elementos do grupo, que pretendia saber onde tinha ficado o tempo na passagem de ano. A resposta veio rápida e foi a seguinte: "Olhem rapazes vai ser um ano seco, o tempo ficou ali a nascente", e rematou dizendo "os antigos já diziam isso, se quisermos bom tempo a Norte temos de o amarrar ali" e apontava para o nascente. Felizmente, no final de Março e início de Abril já caiu uma chuvinha que embora não sendo em grande quantidade já deu para refrescar e regar a "novidade" que estava com dificuldade em nascer ou crescer por falta desse líquido. Devido à grande importância que a chuva desta época tem para a agricultura é hábito o povo chamar, não chuva mas ouro. Conta-se por cá que um dia, numa situação parecida com o descrito, um proprietário estava na loja a tomar um copo com o caseiro quando começou a chover inesperadamente. O caseiro veio à porta verificar o que estava acontecer, virou-se para o patrão e, muito depressa, antes que ele dissesse essa frase habitual, exclamou em voz alta para que não existissem dúvidas: "isto não é ouro, é chuva senhor António". Apesar de ainda não ter chovido o suficiente este ano, estes chuviscos do início da primavera já foram muito bons, para as jovens plantas foi ouro e para a Srª Ministra cujo plano para a seca era rezar a jesus cristo deve ter sido um alívio, porque assim ficou com tempo disponível para tratar de outros planos.

Joel Freitas, Presidente da ACIN