Culpamos as instalações desportivas, falamos das políticas desportivas empregues, usamos e abusamos da conversa de café, mas afinal porquê que não temos mais campeões a nível internacional? Será culpa de quem? Já nos questionámos quanto ao aproveitamento que fazemos do desporto em Portugal? Bem, não é que haja uma resposta certa aceite por todos, não existe uma espécie de dogma a pairar sobre este assunto, mas para quem se interessa minimamente, é evidente que temos de começar por mudar mentalidades e comportamentos. Porquê que usamos os mesmos processos metodológicos que eram usados à 20 e 30 anos? É preciso compreender a dinâmica e a funcionalidade das coisas, e não nos limitarmos a reproduzir o que nos foi transferido por outros...os tempos mudaram, as pessoas mudaram, a tecnologia evoluiu...faz sentido continuarmos parados no tempo? Não temos nada a melhorar em relação às ideologias e teorias antigas? Não digo que ser reprodutor seja mau, porque até pode ser bom! É preciso é enquadrar métodos de treino e ensino com o contexto e com a situação em questão, é fundamental que haja o equacionamento dos diversos factores em jogo e comportamentos a solicitar. Temos que desenvolver a capacidade de adaptação às múltiplas situações plausíveis de acontecer, e potenciar o treino em função disto, maximizando assim a performance do desportista. É fundamental ambicionar os limites do conhecimento, desejar testar novas teorias, operacionalizar situações em concreto e temos essencialmente que estar receptivos à mudança, ao melhoramento, só assim será possível equiparar-nos de igual para igual (desprezando as comparações à escala em termos de diversidade do número de habitantes por país e consequente número de praticantes) com outras grandes potências a nível mundial, onde priveligiam a cultura desportiva.

Tomás Freitas, Colaborador da AAUMa