Vivemos tempos terríveis a todos os níveis. Somos enganados por Governantes e políticos que dizem uma coisa num dia e desmentem no outro. Somos bombardeados com notícias de acidentes e calamidades que mais parecem dizer que a humanidade está a pagar os pecados, não noutro mundo como nos ensinaram, mas neste onde tudo está em ebulição permanente. Até esta seca que nos aflige e que nos vai trazer muitos dissabores no futuro próximo, com a falta de água, é fruto da incompetência de quem governa o mundo e não respeita a natureza e a sua evolução equilibrada e harmoniosa. Pensam que podem dominar tudo mas todos os dias são desmentidos com a revolta dos mares e da terra que não se conformam com a forma como são maltratados. E onde está a revolta dos humanos contra quem lhes está a retirar os direitos essenciais à sua vida? Por andam aqueles que se fartam de falar mal dos outros, de criticar tudo e todos mas quando chega a hora de fazer alguma coisa fogem, refugiam-se, dizem mal, são os anónimos do costume que comentam nas costas mas não dão a cara para dizer o que está mal e o que deve ser feito para corrigir a situação? Muitos preferem entreter-se a falar das arbitragens do futebol preferindo ser treinadores de bancada a intervenientes jogadores no xadrez político da vida. E assim vão surgindo as notícias sobre as chamadas alternativas dentro do mesmo poder regional que alimentou uma política suicida nas últimas décadas. Até oiço comentadores dizerem que nos próximos anos as únicas alternativas são ainda no seio da maioria que nos levou à falência. Fico assustada. Assustada, por estar a ver que muita comunicação social já está a fazer propaganda a favor dessa chamada alternativa. Assustada por ver que a oposição à esquerda ainda vacila em criar uma alternativa unitária e credível que cause moça neste plano diabólico que está em marcha e que não muda nada na nossa vida de ilhéus. Não se pode acreditar que basta mudar a sigla com os mesmos protagonistas para mudar o rumo que a nossa Terra tem seguido. Não será que estão a mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma? Não acredito que de uma hora para a outra aqueles que alinharam sempre com a política seguida nas últimas décadas, que nunca se demarcaram, que nunca aceitaram propostas diferentes vindas da oposição, mesmo que fossem justas, venham agora fazer muita diferença em relação à política que tem sido seguida. Já pensaram que esta chamada alternativa pode ser um truque manhoso de quem já sabe que perdeu para dar a volta à situação criada? Já pensaram que enquanto nos entretemos a falar disto, eles acertam o passo e jogam em dois cavalos para continuarem a governar eternamente, sobretudo se a oposição à esquerda não for capaz de se constituir em alternativa? Era bom lembrar que, as primeiras conquistas autárquicas nesta Terra, Machico e Porto Santo, foram feitas com muita inteligência e encabeçadas por pessoas com muita credibilidade junto ao povo dessas localidades. Foi em Machico, com a sigla UDP e, no mesmo ano de 1989, no Porto Santo com a sigla PS. Enquanto na primeira nenhum partido de esquerda apoiou, na segunda a UDP não concorreu, mandou votar PS o que foi suficiente para garantir a derrota do PSD. E se nunca se conseguiu conquistar o Funchal foi porque os negociadores do PS e do CDS recusaram, nesse mesmo ano, integrar na coligação "Pelo nosso Funchal" a sigla UDP alegando que a mesma afastaria os votos da direita. Quando os votos foram contados verificou-se que os votos da UDP eram suficientes para ganhar a Câmara. Se falo destes exemplos é só para lembrar que sem unidade não conseguimos derrotar quem nos governa há tantos anos e também para repor a verdade de alguns factos que não sendo conhecidos leva a erros de análise como os que têm sido repetidos nos últimos dias por algumas pessoas que não têm memória destes factos. E já agora também é bom recordar que muitas das lutas desencadeadas nesta Terra, umas maiores outras menores, têm sido dirigidas pelos sindicatos, que já foram mais acarinhados do que agora, mas que continuam a ser as casas privilegiadas dos trabalhadores, sobretudo quando se encontram em horas de aflição. Para os que acham que as direcções estão mal apresentem alternativas nas alturas de eleições e não fiquem só a fazer criticas e no "bota abaixo" permanente. Precisamos de sindicatos fortes, verdadeiramente unitários, onde devem ter lugar todos/as os/as trabalhadores/as, tenham o partido ou a religião que tiverem. Precisamos sobretudo de dar as mãos por alguma coisa que nos faça ver uma luz ao fundo do túnel até porque, como dizia o grande Nelson Mandela, " tudo é considerado impossível até acontecer."

Guida Vieira