"Lembro-me da preparação e uso a palavra nos vários sentidos. O sentimento da guerra colonial não é pois de ninguém, é só nosso" já só se ouvem murmúrios desta guerra, tornando-se a cada ano que passa apenas um fantasma do passado. Encontra-se assim, estes murmúrios presentes na obra de Lídia Jorge, A Costa dos Murmúrios. Nesta obra ficcional a escritora mostra-nos as vivências de várias mulheres, que acompanharam os seus maridos militares nos seus caminhos rumo à guerra. Através da rememoração, a personagem principal feminina relata o seu percurso em África, descrevendo os horrores da guerra colonial e a dor do povo moçambicano, que só veio a terminar com o 25 de Abril. Este cenário descrito é na década de 70, um período muito penoso, havendo assim, uma (des)construção do que foi a Guerra Colonial. Estas mulheres encontravam-se isoladas, obrigadas a viver no silêncio, sendo estas, recriminadas e censuradas. Uma sociedade portuguesa marcada pelo modelo patriarcal e capitalista, estando presente sempre uma diferença social entre a relação colonizador e colonizado. Este livro descreve um momento importante para a nossa História, fazendo também, repensar o papel da mulher como Ser relevante na Sociedade, na História e na Cultura. Fomos um povo que sofreu muito com a Guerra Colonial. Esposas que ficaram sem os seus maridos, mães que ficaram sem filhos, famílias que esperaram pela volta do seus entes queridos, no entanto, não podemos desprezar " o outro" e a sua dor, que sofrendo lutavam apenas pela sua independência.

Filipa Silva, Colaboradora AAUMa