Foi pena que a revolta dos pequenos clubes do futebol português tivesse começado pelo pior argumento: o alargamento da Liga. Não que, na minha opinião, existisse qualquer prejuízo no alargamento para 18 equipas, pois, até por uma questão de coerência, também não concordei com o encurtamento para as actuais dezasseis equipas, porque, à época, essa redução não foi consubstanciada em qualquer estudo desportivo/económico que a sustentasse. Aliás, essa medida, então extemporânea e com o único propósito de servir os ditos grandes, causou, isso sim, um hiato no calendário, com menos um mês de competição, provocando imensas paragens. O que terá sido um dos pretextos para a criação da Taça da Liga. Mas, agora também não me parece curial um alargamento à pressa, apenas por se tratar de um cumprimento de uma promessa eleitoral do novo presidente da Liga, para mais em tempo de crise, com a maioria dos clubes em dificuldades económicas e com salários em atraso. E com um grave problema de substância inicial, ou seja, ninguém descer. No resto, a revolta dos pequenos foi oportuna. Fundamentalmente no que concerne aos direitos televisivos e à sua centralização na Liga, com uma busca da internacionalização das imagens. É um sinal, mesmo que numa previsível luta desigual, da procura de uma nova ordem para o futebol português, que lhe dê outra dignidade e outra competitividade, obrigando os grandes a olhar menos para o seu umbigo e mais para os outros que os rodeiam. Que necessitam de algum oxigénio que os permita respirar e sobreviver melhor. Aliás, basta ver a questão do título, tão renhida a três como há muito não se via, muito pela força competitiva que os pequenos e médios clubes, mesmo com orçamentos escandalosamente dispares em relação aos ditos grandes, vêm demonstrando, dificultando-lhes a vida. Muita à custa do trabalho e imaginação desses clubes em gerir os parcos recursos humanos que têm e ao trabalho dos seus treinadores. Imagine-se o que seria com outras condições financeiras… Enquanto isso, a arbitragem portuguesa, e no momento de todas as decisões, quer responder a toda a pressão que lhe está a ser movida, em forma de chantagem. Ou seja, nós erramos, mas não nos critiquem. Não é a melhor forma de defesa, sinceramente. PS: Parabéns ao Marítimo e a Pedro Martins, que atingiram, a cinco jornadas do fim, os 48 pontos. Aconteça o que acontecer até ao final da Liga, fica o registo de uma grande temporada de uma equipa a quem ninguém dava um tostão furado. Mas, já agora, lutem até ao fim pelo 4º lugar que, neste caso, seria tirado a um dos grandes. Que gozo!

Emanuel Rosa, Repórter