Alberto João Jardim esteve em Lisboa esta semana na apresentação de um livro sobre a autonomia Legislativa Regional. Aquela por quem ele apaixonadamente lutou, para ao fim de uns anos a abandonar ao Deus dará.

E na Universidade da capital hostil e centralista, palco da cerimónia, comecei por ouvir uns jovens questionarem-se sobre a presença do presidente do Governo Regional. “Deve vir pedir mais dinheiro”, cuspia um dos rapazes. Mas depressa se esqueceram. Porque Jardim num jeito de estrela pop desajeitada lá foi cercado pelos jornalistas da nação. Televisões, rádios e imprensa num festim de perguntas inusitadas para gáudio do senhor do holofotes, que mostrou mais uma vez que gosta é de ribalta.

Perguntaram-lhe sobre tudo e mais alguma coisa, só não pediram a antevisão do Benfica e do Sporting para as competições europeias porque não calhou. (Ainda sou do tempo em que em Lisboa apontavam o dedo à comunicação social provinciana insular, a quem acusavam de manter Jardim no poder, com a antena mediática que lhe davam. Curioso?!)

Jardim respondeu a tudo ou ao que entendeu. Considerou a polémica em torno da gestão do QREN e do ministro da Economia Álvaro Santos Pereira uma guerra “de alecrim e manjerona que não interessa para nada”, o que deve ter tranquilizado o país. Lembrei-me de lhe perguntar o que tinha a dizer aos madeirenses sobre o Orçamento regional apresentado um dia antes. E o presidente disse que não tinha nada a dizer que o povo sabia tudo. Estranhei. É a mesma pessoa que tem ido aos adros das igrejas esclarecer o povo?

Quando tentei ir ao concreto, e perguntar-lhe sobre as carências nas escolas, em dificuldades com as refeições, a falta de medicamentos nos hospitais, o líder regional virou para o lado e seguiu.

Na cerimónia, teve a sorte de despertar uma plateia adormecida pelo ex-presidente dos Açores, Mota Amaral, e saiu-se bem. No estilo trauliteiro habitual disse larachas, como estar no poder desde o tempo dos dinossauros e outras pérolas dignas de espectáculo de stand up, versão pobre. Arrancou gargalhadas quando assumiu o seu “mau feitio” nas lutas insulares com a capital e ninguém se indignou ou incomodou quando defendeu a acumulação de pensões e atacou os ‘bandidos’ que querem roubar estes direitos. A quem? A ele próprio. O líder madeirense defendeu isto em Lisboa perante alunos de direito, escudou a excepção e o forrobodó madeirense. No fim não houve questões da plateia, mas houve pedidos para tirar fotografias.

Jardim é um entertainer. E só me lembro do anúncio daquele desodorizante. Por onde passa, o líder madeirense atrai de forma incompreensível. Mas tal como na publicidade, não tenhamos dúvidas, por onde anda deixa um rasto de caos, de ordenação difícil. Usará ‘axe’, o presidente?