Comemora-se hoje o Dia Internacional da Mulher. Não obstante muitos 'doutos pensadores' da nossa praça entenderem não fazer sentido a comemoração deste dia, continuo convencido que existem cada vez mais razões para o assinalarmos. E porquê?! Para que a memória não se apague e para que se chame à atenção para o facto de esta crise/austeridade que pende sobre os nossos ombros atingir de forma particularmente violenta as mulheres: segundo dados da Comissão Europeia publicados este mês e referentes a 2010, as mulheres trabalhadoras da Europa ganhavam 16,4 por cento menos que os homens. No que respeita a Portugal, a CGTP divulgou em Fevereiro que essa diferença é de vinte por cento, com a remuneração média mensal das mulheres fixada em 831 euros, enquanto nos homens sobe para 1.024 euros. No que respeita ao salário mínimo, as mulheres que o recebem são o dobro dos homens. Por outro lado, os dados referentes ao desemprego e à precariedade laboral não deixam dúvidas que são as mulheres que, tristemente, lideram o 'ranking' das remunerações de miséria e do trabalho escravo, também na Madeira. Como se tudo isto fosse pouco, a face da violência doméstica é, esmagadoramente, feminina. Na Madeira, temos sido confrontados nos últimos tempos com inúmeros casos de mulheres maltratadas e assassinadas pelos seus companheiros. É preciso parar esta barbárie. É preciso criar legislação que afaste o agressor da casa da família porque, neste momento, são as vítimas que têm que fugir da pancada e da morte. Em 1999, o Bloco de Esquerda recém-chegado à Assembleia da República não perdeu tempo e fez aprovar um projecto de Lei que transformou a violência doméstica em crime público. Sendo crime público, qualquer um(a) de nós é moralmente obrigado a denunciar situações de maus-tratos conjugais de que tenhamos conhecimento sob pena de sermos considerados cúmplices destes actos criminosos. Porque, nestas situações, 'entre marido e mulher é obrigatório meter a colher'!
Roberto Almada, Líder do BE na Madeira