Em época de crise é curioso que hoje opine sobre uma nova tendência no futebol europeu: os clubes ricos. Num passado não muito distante qualquer bom valor que se destacasse no futebol tinha como destino quase certo um dos históricos clubes europeus. Actualmente, a situação económica mudou e é cada vez mais frequente assistirmos a clubes como o Manchester United, o Real Madrid ou o Ac Milan perderem jogadores para clubes como o Manchester City, o Chelsea, o PSG e, mais recentemente, o Anzhi (onde mora o jogador mais bem pago do mundo) que adquirem estatuto de grandes potências emergentes e com cada vez maior poder de compra. Aproveitando a injecção de capitais estrangeiros milionários estes passam de simples clubes de segundo plano, sem capacidade de discutir troféus, a autênticas potências mundiais: equipas competitivas, com grande valor de mercado e capazes de rivalizar com qualquer dos gigantes europeus. Nestes casos o sucesso é quase imediato e permite que, num curto espaço de tempo, consigam formar uma equipa recheada de bons valores individuais e colectivos capazes de rivalizar com grandes equipas com plantéis construídos durante muito mais tempo. O futebol é cada vez mais um produto comercial e os investidores adquirem equipas como se de iates ou de mansões se tratassem levando a um crescente desinteresse e afastamento do povo perante a desigualdade entre equipas. Apesar deste risco e para bem da própria modalidade não se poderá recusar e ignorar esta realidade. Dever-se-á, antes disso, promover medidas de equilíbrio entre as equipas através de um fair-play desportivo mas essencialmente económico.

Marcos Nascimento, Colaborador da AA UMa