Os processos de tomada de decisão no desporto são bastante diferenciados em função do tipo de modalidade e do seu contexto. Ao nível da arbitragem, esses processos também variam consoante a modalidade que está a ser ajuizada: individual ou coletiva, com ou sem oposição direta; sujeita ou não a maiores ou menores influências externas; com ou sem contacto físico, etc, etc. Um dos fatores que mais influenciam este processo tem a ver com o seu grau de subjectividade e o tempo útil em que a mesma tem que ser tomada. Às modalidades coletivas estão associadas técnicas de arbitragem e tomadas de decisão mais complexas, com particular destaque para o futebol, devido à sua forte mediatização e ao facto de se exigir que sejam eficazes num contexto de elevadas exigências físicas. É por isso que, os múltiplos e diferentes cronistas existentes neste país, habituados a decidir sentados no sofá, fora do contexto real do jogo (com fotos e repetições em slow motion), teçam muitos palpites sobre uma realidade que não conhecem. Depois, com a cobertura da comunicação social, ainda exigem isenção, como se eles o fossem. Como se dessem o mesmo espaço a todos os clubes, se tratassem todos da mesma forma, se não fossem influenciáveis ou pressionáveis. Alguns ainda afirmam que os erros dos árbitros são cometidos de forma deliberada, como se houvesse tempo para pensar a equipa ou atleta a beneficiar e gostassem de ser reconhecidos por más decisões. Mas os árbitros têm tendência para proteger as equipas da casa ou de maior dimensão pública e mediática? Sim! Mas por isso é que uns são melhores que outros, mais ou menos influenciados pelas pressões exteriores. Se o facto de jogar em casa hoje já não traz grande influência em termos de tomada de decisão face à qualidade das instalações e da organização das competições, a grande preocupação deve centrar-se na garantia da justeza da competição, tratando todos os emblemas da mesma forma, mesmo contra a vontade daqueles que opinam na comunicação social. Mesmo assim, os árbitros são os agentes mais isentos, justos e imunes à pressão.

Elmano Santos, Presidente da ATARAM