Os madeirenses vão 'emprestar', ao longo deste ano, mais 3.000.000 de euros ao Jornal da Madeira. Não sabem como, mas vão dar - emprestar é uma anedota orçamental -, podem ter a certeza. Os que apoiam esta barbaridade e os que votaram contra. Pagam todos. Vão pagar mais impostos - muito mais, mesmo -, vão perder regalias sociais, vão pagar as refeições dos filhos nas escolas, vão ter menos abono de família e muitos vão ficar sem emprego, mas vão continuar a contribuir para um dos maiores escândalos nacionais.

Só a total ausência de vergonha na cara permitiu ao Governo Regional e aos seus titulares - todos, porque nisto não há inocentes - apresentar esta barbaridade que, só por imposição de Lisboa, ficou aos olhos de todos, no meio de um orçamento que já é fruto de uma incompetência governativa evidente. Um descalabro de contas que levou à produção de uma dívida de 6.500.000.000 (lê-se seis vírgula cinco mil milhões) de euros.

Corta-se em tudo, mas para o jornal onde escrevem os senhores do PPD, onde são feitos os desmentidos que não desmentem nada e se insultam todos os que não são 'dos nossos', terá de haver dinheiro. Milhões que servem para fazer uma concorrência vergonhosa, mas que parecem normais, pelo menos para quem votou nesta gente.

Por imposição de Lisboa (felizmente) ficámos a saber que o JM tem uma receita de dois milhões - grande parte em publicidade institucional - e despesas de cinco milhões. Ou seja,começa o ano já com um prejuízo previsto de três milhões de euros. Pouca coisa. Tudo para os madeirenses pagarem.

Claro que os 'escrevinhadores' pagos para produzir opinião, diariamente, vão falar na defesa dos postos de trabalho e numa patética pluralidade. Ninguém deixaria de concordar que é necessário defender os trabalhadores, camaradas que merecem toda a solidariedade. Mas todos, não apenas os do JM.

Infelizmente para esses comissários políticos pagos a peso de ouro para escrever umas boçalidades, quem trabalha nos outros órgãos de comunicação social nem sequer é gente. Não se importam com os muitos que foram queimados no fecho do 'Notícias da Madeira' - por acaso propriedade de gente do PPD -, dos muitos que foram despedidos pelo 'Liberal', nem de todos os que o Diário dispensou, numa tentaiva de sobrevivência contra um ataque nojento. Esses, não são gente, nem sequer são números. Alguns, ironia macabra, até terão de pagar impostos para os seus algozes.

Este será um ano de muito aperto e sacrifício, de austeridade muito acima do imaginável. Mas não será para todos, alguns continuarão a ter milhões para pagar os seus vícios, 'incluso' ter onde escrever barbaridades sempre que apetecer. Ou obrigar a reproduzir, 'com a devida vénia' , textos de um panfleto partidário.

Nota: Se serve de comparação, o 'JM' vai custar aos madeirenses tanto como toda a despesa para a Cultura, em 2012.