Nos governos como nas famílias - ou melhor, no governo das famílias - todos os erros, omissões e disparates têm um preço. Mais cedo ou mais tarde… Estarão melhor aqueles que têm a capacidade de, em devido tempo, fazerem os reacertos nas atitudes (despesas, poupanças, aplicações e investimentos, etc.), as mudanças de rumo, o realinhamento de estratégias. Estarão pior aqueles que são incapazes das adaptações necessárias. Uma das razões pelas quais as adaptações se tornaram indispensáveis e urgentes em Portugal é o facto de muitos factores estruturais se terem alterado de forma determinante. Refiro-me, entre outros, à adesão ao euro, ao alargamento da UE a leste e às dificuldades competitivas da nossa economia para competir neste novo contexto. As empresas em sectores que concorrem internacionalmente - em sectores de bens transaccionáveis - sentiram os impactos. A indústria definhou e quase desapareceu. O turismo começou a patinar. A economia em geral entrou em estagnação - bem visível desde 1999/2000. A Globalização é outro factor essencial. A adaptação ao novo contexto concorrencial global tornou-se indispensável. Não é possível saudar-se a entrada de milhões de trabalhadores e consumidores da China, da Índia e de outros mercados emergentes e, ao mesmo tempo, pretender que tudo pode ficar imutável no mundo ocidental: o Estado Social, os modelos de gestão, os padrões de direitos no trabalho e na vida colectiva, os consumos, as produtividades… As tendências demográficas e as consequentes dificuldades da Segurança Social são outro dos factores estruturais da mudança. Cada vez mais idosos, cada vez mais gastos de saúde, cada vez menos a trabalhar para pagar as necessidades crescentes são incompatíveis com um quadro de economias mais expostas e menos competitivas. Neste contexto há povos que se adaptam com REGRAS apropriadas às novas situações. Por exemplo, o custo de trabalho na Alemanha está em queda há uma década ao mesmo tempo que um governo em Portugal, há 3 ou 4 anos, aumentava salários para obter ganhos eleitorais… Outro exemplo ainda mais gritante e grave é o da governação madeirense. O Governo Regional do PSD não foi capaz de compreender nada do que se estava a passar e, em vez de regras de auto-contenção e de antecipação face aos problemas, empurrou os problemas para a frente 'com a barriga' e esteve até agora como se nada se passasse. Pior: não entendeu os sinais dados pela alteração da Lei das Finanças Regionais em 2007. Em vez de adaptar-se acelerou os erros de governação, o endividamento, o desperdício dos recursos. Ou seja, preferiu às regras as RÉDEAS que outros de fora inevitavelmente acabaram por impor. E que rédeas curtas…!!!

Maximiano Martins - Deputado do PS-M