Centenas de novos desempregados a cada mês que passa, milhares de pessoas sem rumo, sem perspectivas de uma vida digna. Pessoas como nós. Que trabalham (ou trabalharam), que pagam impostos, que têm direito à vida. Pessoas. Isso basta. Pessoas que vegetam, dia após dia, sob a ilusão de que vivem um dia de cada vez. Pessoas. Que têm filhos, que têm pais, maridos, mulheres, irmãos, tios, padrinhos, afilhados, amigos, vizinhos, cães e gatos e móveis e carros e livros e dívidas. Que têm vida. Que não têm nada. Pessoas vazias. E isso não basta! Com mais frequência do que desejaria, dou comigo a pensar em pessoas. E, não raramente, traço uma linha separadora lembrando-me do que fez José Saramago quando descreveu Joana Carda a riscar o chão com uma vara de negrilho. E vejo claramente as diferenças entre uns e outros. Uns, que foram atirados para uma vida cheia de nada e outros que os empurram para se safarem numa vida cheia de tudo, mesmo que por vezes igualmente vazia. Filosofia, deve estar a pensar o Leitor que fez o esforço de chegar até aqui. Não! Antes fosse. Oxalá fosse. Mas não é. A vida, tal como a conhecemos é assim. É separada por um pau de negrilho, por uma opção política, pela sorte, pelo azar, pelo empenho, pelo desmazelo, pela criatividade, pela malandrice, que também os há. Mas o que me incomoda muito é pensar naqueles que não podem fazer nada para mudar as coisas e nos outros, os que têm a obrigação de fazer um pouco melhor. E penso nos governos, no Governo Regional e em alguns dos nossos governantes em particular: será que eles dormem descansados? Pode um governante dormir o sono dos justos quando sabe que uma só pessoa cometeu um acto tresloucado por sentir que lhe faltava o chão que qualquer governo é obrigado a pavimentar? Pode um governante, digno desse nome, apagar a luz e fechar os olhos sem, por uns segundos, pensar se tinha mesmo de ser assim? Se tem mesmo de ser assim? Se está a fazer o mais certo e não apenas o que lhe dizem para fazer? Se nada do que a Oposição diz é de aproveitar? Se mais ninguém tem direito a pensar de forma diferente? Tenho a certeza que não! Que aos governantes que temos ainda resta aquilo a que se chama de consciência. Uns vivem com ela mais pesada do que outros, mas todos a têm a chamá-los à razão. Seja de manhã, à tarde, ou à noite. Ouçam-na mais vezes. Pode ser que melhorem. Se melhorarem, pode ser que mudem a vida de alguns cidadãos, talvez seus eleitores. Pessoas como nós. Que trabalham (ou trabalharam), que pagam impostos, que têm direito à vida. Pessoas. Isso basta. Pessoas que vegetam, dia após dia, sob a ilusão de que vivem um dia de cada vez. Pessoas. Que têm filhos, que têm pais, maridos, mulheres, irmãos, tios, padrinhos, afilhados, amigos, vizinhos, cães, e gatos e móveis e carros e livros e dívidas. Que têm vida. Que não têm nada. Pessoas vazias. E isso não basta! Dois mistérios: 1- Alguém sabe por onde andou e o que esteve a fazer o presidente do Governo Regional na semana entre a discussão do Orçamento Regional e o Congresso Nacional do PSD? 2 - Por quantos votos ganhou Pedro Passos Coelho a sua eleição na Madeira? E uma observação: Miguel Albuquerque até pode ser copiosamente derrotado no próximo congresso do PSD-Madeira. Mas uma coisa ninguém lhe tira: a coragem de ser o primeiro enfrentar directamente o que se julgava Único Importante. Já era tempo de alguém lhe dizer chega! Neste caso, só isso basta. E sobra!