Leitora devidamente identificada Dia 28 de Março de 2012, pelas 13h e 33m, a minha mãe, deu entrada no serviço de urgência, sendo-lhe atribuída após triagem, cor laranja (doente muito urgente), por perda de sentidos, queda desamparada com ferida aberta no couro cabeludo, tendo perdido muito sangue e vomitado após recuperar os sentidos, com o lado esquerdo todo magoado (ombro, cotovelo) e com sinais de dormência no braço e perna esquerda. Entrou também com arritmia. Estivemos à espera até às 14h e 45m, minha mãe continuava deitada numa maca muito aflita. Alertei a Enfermeira da Triagem, bem como o Auxiliar de Serviço, pelo tempo de espera (1h e 15m) e pela cor que fora atribuída à minha mãe, bem como a aflição que sentia. Foi-me dito que as coisas não estavam fáceis, até aqui tudo bem, ainda fui tentando entender, embora ultrapassasse já em largos minutos os 10m normais de espera, no caso de cor laranja. O que me fez escrever esta carta, foi a revolta que senti, quando entra um moço, na casa dos trinta anos, que se põe de pé, frente aos gabinetes médicos, que não aparentava grande urgência e que reparei ser portador de uma pulseira com cor verde (doente pouco urgente). Nisto, sai, pela área de um dos gabinetes médicos um Sr. Enfermeiro, de serviço na sala de urgência, falou com o moço, pegando no braço dele para ver a cor que lhe fora atribuída, ficando com ar aflito por ver a cor verde, chegando mesmo a dizer um palavrão. Voltou a entrar pelo mesmo sítio. Daí a pouco voltou a sair, levando o moço, colocando o braço sobre este, para o gabinete de uma das médicas de serviço. Abordei o Sr. Enfermeiro antes da entrada, referindo que, como era possível uma pessoa de cor verde, que chegara depois de minha mãe, com cor laranja e numa grande aflição, passar à frente dela, depois de já estar à 1h e 15m à espera? Olhou para mim, todo arrogante, perguntado se eu sabia da urgência do senhor. Respondi que não sabia da urgência do senhor, mas que sabia que minha mãe tinha cor laranja destinada a doentes muito urgentes e estava muito aflita e que o senhor tinha cor verde, destinada a doentes pouco urgentes e que havia acabado de chegar. Levantou a voz, dizendo, com licença, passando sempre. Pedi licença e consegui identificar o seu nome, que só não o divulgo neste espaço, por uma questão de ética da minha parte, e disse-lhe que as coisas não podiam ser assim. Qual o meu espanto, quando vejo a médica atender o senhor, sabendo que tinha cor verde e que havia pessoas de cor laranja a tanto tempo à espera! Nisto, indignada com toda esta situação, fui à Sr. Enfermeira da Triagem, explicando o sucedido. Respondeu que tinha que falar era com a médica. Dirigi-me à mesma, tentando alertar para o sucedido. A Senhora, cortou-me a palavra alegando "Agora estou atendendo este doente". Pena que não consegui identificar o nome da senhora. E lá fiquei eu, junto com minha mãe mais 15 minutos à espera para que ela fosse atendida, ou seja, entrei para o gabinete de uma outra médica às 15 horas. Notei a revolta dos outros utentes lá presentes ao assistirem a esta triste "Palhaçada", pelas conversas que faziam, pois mesmo que com cores amarelas e verdes, todos estavam à frente do dito Senhor. Ao entrar para a sala de tratamento, deparei-me com o Sr. Enfermeiro que logo se desviou. O moço que lá fazia o tratamento, sentado numa cadeira, baixou a cabeça e ficou logo vermelho, se calhar com medo que os fosse abordar novamente. Minha mãe teve de fazer logo o exame ao coração, foi medicada, teve de fazer taque à cabeça e análises. Ficou em observações até sensivelmente às 22 horas. Pelo contrário, o dito senhor, levou um tratamento intravenoso, fez raio x e teve alta, pelo que deduzo que pela cor verde atribuída e pelo que lá fez, devia tratar-se de uma gripe.