José Ângelo Gonçalves de Paulos Nem um único documento por parte da Igreja Católica Madeirense sobre esta situação, horrorosa, que vamos viver na Madeira, sobretudo os mais pobres. O bispo regional tem medo. Foge da política e das questões sociais. Não está imbuído, fica inibido , da Caridade Crítica, tal como diz o monge Luciano Manicardi no seu interessante livro "a Caridade dá que fazer". Isto é, tal como disse Pio XII "a política é a caridade mais alargada". E Paulo VI dizia que era a arte de governar os povos. Esta diocese do Funchal nem um pio, nem uma palavra, nem um gesto se viu ou se ouviu, porque todos estão doutrinados no sistema político regional: bispo, padres, religioso(a)s e até leigos gostam deste marasmo. Desta igreja, completamente, desCarrilhada. E, agora, nesta altura quaresmal, própria de algum sentimento, introspecção. Da tal Metanóia, segundo os gregos, que significa conversão, mudança de hábitos e de mentalidades. Aqui, nesta igreja regional. Nada! Para a semana próxima, Quinta-Feira Santa - dia por excelência da Amizade e do Sacerdócio -, estou a ver o bispo Carrilho a anunciar, na homilia, os padres que farão 50 anos de sacerdócio e, certamente, por hipocrisia - oxalá, que não!!! - excluirá um: o pe. José Martins Júnior, que, este ano, faz o seu jubileu sacerdotal. E de uma forma brilhante. É dos padres mais esclarecidos, inteligentes da Madeira. Um verdadeiro teólogo de grande avanço hermenêutico, biblístico e de grande cultura literária e musical. Naturalmente, que foi político, como foram outros, entre os quais o padre António Vieira, que foi embaixador. E mais, recentemente, um cónego, já falecido, e que foi director do JM e vigário-geral da diocese, que chegou a ser deputado da União Nacional e no tempo da ditadura, claro. Para não falar da maioria dos padres, hoje, ainda, vivos, que na senda de Francisco Santana foram todos do PPD. E outros, que conheci, do CDS. Mas o padre Martins Júnior foi o único a ser punido. Por quê? Por defender, tal como os Teólogos da Libertação, os pobres, os oprimidos, tal como fez Jesus. Pois, nesta Igreja Católica, Apostólica, Romana quem segue o Evangelho do Senhor Jesus é, imediatamente, ostracizado, abandonado, tal como os sacerdotes do templo de Herodes, de Caifás e de Pilatos também fizeram. São todos uns déspotas! No entanto, sugeria ao senhor bispo do Funchal, que nesta Quaresma de 2012 se penitenciasse. Com um pouco de humildade, e de regozijo também e em pleno Dia do Sacerdócio, tal como fez Jesus, que lavou os "pés dos Apóstolos", não diria tanto, mas chamasse o padre José Martins Júnior e o convidasse a concelebrar a Eucaristia de Quinta-Feira Santa e em plena Sé Catedral tivesse a humildade de pedir desculpa a ele e ao povo da Ribeira Seca. Os grandes Santos e Santas fizeram isso, porque, acima de tudo o Cristianismo não é a hierarquia, tão pouco o direito canónico, mas o Evangelho, o Programa do DEUS VIVO. Pois, senhor bispo António José Cavaco Carrilho, se assim não fizer, a eucaristia, presidida por si, terá sobre o seu altar: o Judas Iscariotes. É ele que estará aí a beijar cruelmente os inocentes. E não o SENHOR JESUS, ELE É AMOR, PERDÃO, enfim o ÁGAPE e METANÓIA. Boa Páscoa à Igreja da Madeira e que Cristo Ressuscitado esteja convosco. Aleluia.