Diz Alberto João que foi necessário assinar o acordo que vai entrar em vigor no dia 1 de Abril, dia das petas, com o Governo da República porque "ou era isso ou a bancarrota"! Assume assim, sem qualquer vergonha, que ao fim de 34 anos de governos absolutos, levou a Região à bancarrota! Se fosse administrador de uma empresa era responsabilizado por gestão danosa e provavelmente processado! Mas nada acontece e mais grave ainda diz que de nada se arrepende! Se a Madeira fosse a Islândia onde o ex-primeiro-ministro está a ser julgado por gestão danosa outro galo cantaria... Com o empréstimo feito pelo Governo PSD/CDS com a benção da 'troika' o Governo evita a bancarrota nos seus cofres, mas provoca a bancarrota em muitos cidadãos, famílias e empresas! Segue o caminho de pôr quem menos ou nenhuma culpa teve a pagar os custos da bancarrota regional, sobretudo através de mais impostos directos e indirectos e de cortes salariais e de outras regalias. Isto levará à diminuição do poder de compra e do consumo, ao estrangulamento e consequente encerramento de mais empresas, ao aumento do número de desempregados, etc., e em última análise a menores receitas fiscais, porque haverá menos entidades singulares e colectivas aptas a pagar impostos. E, mais grave ainda, promete continuar a seguir a mesma política de prioridade às obras que não apenas as de reconstrução, obedecendo ao 'lobbie' do cimento e não cortando nos organismos que cresceram como cogumelos nestes 36 anos de poder laranja e que tanto dinheiro consomem em muitos casos sem utilidade pública. Há quem pense que este acordo pode servir para endireitar o poder regional. Desiluda-se desde já! A reconciliação AJJ/PPC, apesar de poder ser de curta duração e ter sido também uma manobra táctica para tentar isolar Miguel Albuquerque no espaço nacional, serve apenas para ele ganhar folgo e recuperar imagem nacionalmente. O trabalho de propaganda com dados históricos falseados feito pela TVI é um prenúncio desta manobra que pode ser mais vasta! O Poder Central em nada fica a dever ao Regional nos seus piores vícios! Por isso não pode corrigi-lo! Um Poder que privatiza a EDP e a REN e que vai entregar aos novos accionistas chineses e árabes dividendos no valor de 144 milhões de euros referentes a 2011 quando estes só entraram como sócios em 2012, fazendo o Estado perder essas receitas que amanhã serão usadas como argumento de défice para nos sacrificar e ainda decide que passará a haver aumentos do preço da energia de 3 em 3 meses, não pode criticar o poder regional! Um Poder que admite não haver incompatibilidades no facto de António Borges, ex-vice-presidente do Goldman Sachs, um dos Bancos responsáveis pelo 'crash' financeiro de 2008 e que ajudou a Grécia a esconder o seu astronómico défice, ser ao mesmo tempo um dos principais responsáveis pelos processos de privatizações em Portugal e vogal não executivo no CA do Grupo Jerónimo Martins, um dos maiores em Portugal e que pode lançar-se, quem sabe, em alguma privatização, não pode criticar o poder regional! Um Poder que admite que uma assessora do secretário de Estado dos Transportes, cujo percurso profissional esteve ligado a várias empresas nas quais prestou serviços à Lusoponte, emita um parecer que recomenda que se pague 4,4 milhões de euros quando essa empresa já tinha cobrado as portagens de Agosto, não pode criticar o poder regional! Um Poder, governos do PS e do PSD/CDS, que já gastou 5.443 milhões de euros no BPN para tapar o buraco da fraude da gestão de graúdas figuras do PSD, entregou ainda mais 767 milhões de euros ao BIC, chefiado pelo ex-ministro de Cavaco, Mira Amaral, para este comprá-lo ao Estado por 40 milhões e a Comissão Europeia deu luz verde a este negócio escandaloso para o Estado Português e altamente lesivo para os contribuintes, pois amanhã, lá virão estes governantes exigirem-nos mais sacrifícios dizendo que o défice afinal era maior por causa deste enorme buraco, um poder como este não pode criticar o poder regional! Para terminar cito António Aleixo, poeta popular, sempre actual: "Esta mascarada enorme com que o mundo nos aldraba, dura enquanto o povo dorme, quando ele acordar, acaba".

Paulo Martins