Não há argumento económico, político ou até mesmo partidário que disfarce uma realidade que nos toca a todos: a Madeira tem hoje impostos mais altos do que os Açores no IRS, no IRC e, a partir deste domingo, também no IVA. A governação açoriana mesmo que não isenta de erros - seja com Mota Amaral ou com Carlos César - não alienou o futuro próximo das finanças públicas como a Madeira o fez. Nem perdeu a autonomia que lhe permite baixar os impostos face ao território Continental, nem se viu manchada por ter "escondido" parte da sua dívida. A verdade é que hoje os ilhéus açorianos estão muito menos penalizados do que os madeirenses e a pergunta que qualquer cidadão tem o direito de fazer é: em nome de que valores nos endividaram desta forma? Em nome de que progresso nos empenharam deste modo? Sob qual planeamento foi construído este desenvolvimento? E como se reanima uma economia sufocada em impostos e com o desemprego a subir em flecha? A mera constatação dos factos e não um juízo de valor pessoal conduz à conclusão de que os erros da gestão dos dinheiros públicos nos coloca a nós cidadãos (eu e o caro leitor) a pagar este endividamento através de uma subida repentina e injusta da carga fiscal. E porque quando o adjectivo que permanece é a "injustiça" é sempre bom lembrar as palavras do poeta popular António Aleixo: "Vós que lá do vosso império prometeis um mundo novo, calai-vos que pode o povo querer um mundo novo a sério". A palavra ao poeta.

Luís Sena Lino - Consultor de Marketing e Comunicação