De forma circunstancial, fui, noutro dia, abordado por um jornalista de um órgão de comunicação nacional que cobria um evento literário. Depois de duas questões efectivas sobre a iniciativa, enfatizou as seguintes na Madeira, na austeridade, no próximo mês de Abril, no desemprego e nas dificuldades que a região atravessa. Reconhecendo toda a legitimidade para um jornalista fazer as perguntas que entende, confesso que fiquei surpreso com o teor das mesmas face ao contexto em que estávamos. Esperava que naquele momento falássemos de produção e crítica literária, da importância para a educação do convívio com escritores. Essa seria a notícia. Não, falou-se, essencialmente, da Madeira. Paradigmático! Almocei pensando naquela curta entrevista. À tarde estive atento. Apercebi-me que aquele discurso se repetia. Então, mais uma vez, senti a real incompreensão pela Madeira. É evidente que as dificuldades que nós madeirenses atravessamos me preocupam. Mas não creio que as ampliando permanentemente ao todo nacional as ultrapassemos. Não percebo em que é que isso contribui para a melhoria do nosso País ou para a felicidade de todos nós portugueses. Igualmente, não encontro muitas diferenças na qualidade de vida regional versus nacional. É evidente que desejo políticas sensíveis à insularidade e uma autonomia que se traduza em medidas diferenciadoras pelas nossas especificidades próprias. Porém, como madeirense e como português, não aceito esta postura pela RAM e por tudo o que por cá acontece. Até porque já não parece ser notícia, mas obsessão!

Nuno Maciel - Professor