Paul Krugman, Nobel da Economia em 2008, ficou célebre depois de, vezes sem conta, se ter manifestado contra as políticas de austeridade implementadas pelos estados europeus. Proclamava este ilustre economista que a Europa entraria numa espiral de recessão. Conclusões óbvias à luz da teoria económica e evidenciadas no decréscimo do PIB, de seis países europeus no segundo semestre de 2011, incluído Portugal. O discurso de Krugman, passou rapidamente a integrar retórica política, designadamente por parte da esquerda mais radical, como forma de sustentar as suas posições contra quaisquer medidas de índole contraccionista. Do dia para a noite, tornou-se moda citar krugman. No momento em que a crise começou a tomar conta de Portugal, mesmo ainda que numa fase embrionária, o governo de então, bem ao jeito português, injectou o dinheiro que não tinha na economia, não à revelia do ciclo político-eleitoral, como de costume. Os gastos públicos aumentaram, anestesiando-se a economia e fazendo-se a vontade aos mais acérrimos Keynesianos, tal como…Krugman. Passado o efeito da anestesia, depressa apareceu o monstro do défice e escalou a crise da dívida soberana. Os estímulos tornaram-se contraproducentes no médio prazo e as finanças públicas descontrolaram de tal ordem que os portugueses caíram no mais exacerbado pessimismo. A austeridade é, a única receita possível para a recuperação, aliada a trabalho árduo, reformas de fundo, estimulo das exportações, esforços para a atracção investimento nacional e estrangeiro a par do aumento da poupança. Ah…já agora, para os amantes de Krugman, deve-lhes ter doído os ouvidos quando o Sr. Nobel veio a Portugal dizer (com alguma lógica) que Portugal deve baixar os salários em cerca de 30% face aos seus mais directos parceiros, por forma a aumentar a competitividade.
Rafael Freitas - Colaborador da AAUMa