Sílvio Lamim Viegas Há pessoas desprovidas de qualquer valor perene. O cérebro deles é uma engrenagem mecânica. Não acreditam em nada, nem sequer em Deus, ou melhor, criaram um outro Deus: o dinheiro! Elevaram o ouro ao cimo da hierarquia de valores e transformaram a pessoa humana em vil mercadoria. E essa mercadoria está à venda no mercado, à procura do melhor preço. O dinheiro, a necessidade do dinheiro leva a as pessoas a uma labiríntica escravatura. Uns têm muito, a maior parte dos outros têm muito pouco. Com efeito, os homens puseram a alma no dinheiro. É por isso que precisamos de um sopro de eternidade, civilizar por dentro. O cristianismo é mais que uma doutrina, é uma vida nova num homem novo. Não são as palavras, mesmo quando agradáveis, mas a vida que define o homem. O cristianismo é católico, ecuménico, transcende fronteiras de tempo e de espaço, de cultura e de etnias. Não se confunde com humanas construções de validade precária, embora colabore com todas, em tudo o que for para o bem comum. E, sem nenhuma prejudicar, a todas unifica, comunica almas, no sopro do espírito. Como disse S. Agostinho, o mundo envelhece, o mundo morre, o mundo vai desaparecer. Mas tu, cristão, nada receies, porque, em ti, a juventude há de renovar-se como a juventude das águias. Alguns ainda recordarão a mensagem da Comissão Nacional da Justiça e Paz. "Continuamos a ter um olhar vesgo que deixa passar o progresso a alta velocidade sem se aperceber da vergonha que nos atinge porque cegos ou indiferentes perante quem é cidadão de segunda, sem acesso efectivo a direitos fundamentais e, em consequência, não se vendo motivado a cumprir as obrigações indispensáveis para o funcionamento da cidadania: porque cidadão de segunda não vê razões para alimentar o luxo e o bem estar do cidadão de primeira." Há, pois, que abolir os sete crimes capitais contra a solidariedade: não acredito / não sei / não me importa / tenho muito trabalho / deixa-me em paz / não tenho tempo de ler / não me interessa.