Guido Gomes Cavaco, revelando uma das suas piores facetas - o ressentimento incurável -, veio a público queixar-se do já demitido pelo povo, José Sócrates. Diz que este lhe escondeu assuntos relevantes que tinha por direito saber. Nem os constitucionalistas e politólogos reúnem consenso sobre a razão de Cavaco. Já quanto às "pequenas" faltas de Cavaco ainda por esclarecer, o consenso é maior e importa lembrá-las, para que se possa aferir da moral deste Presidente da República - aliás, eleito à custa de certos canais de televisão e sem o mínimo de cultura que se exige a um estadista à altura da Presidência da República Portuguesa. Ou não será falta de lealdade para com a Nação esconder a forma como adquiriu uma vivenda de luxo no Algarve, a um preço muito suspeito e afirmando que até desconhecia a respectiva escritura? E isto para não falar nas suas relações muito directas com as negociatas fundadoras do BPN e perpetradas pela gente da sua confiança, que tanto contribuíram para a ruína do País. E por muito menos Cavaco foi desleal. Basta lembrar que se diz desconhecedor da condição de ser pobre e do número de portugueses que nela caíram. E quanto ao seu papel na conspiração saloia contra Sócrates, para enganar a população e leva-la a convencer-se de que aquele primeiro-ministro tinha mandado escutar Belém, é melhor nem falar. Os portugueses estão fartos das atitudes e afirmações patéticas de Cavaco que, entre outras coisas, servem para desviar as atenções do povo sobre as medidas gravosas do actual primeiro-ministro.