Há décadas que acompanho o futebol e não me lembro de um campeonato tão disputado, com três equipas separadas por apenas um ponto, a sete jornadas do final. Sinceramente e como aliás escrevi, esperava que Benfica e Porto disputassem esta liga ombro a ombro. Não esperava este Braga. A luta será titânica. Dentro e fora das quatro linhas. Porto e Braga, em teoria, têm a vida facilitada porque jogam semana a semana. O Benfica terá seis jogos em vinte dias. Mas é uma boa dor de cabeça para Jorge Jesus, porque significa que a equipa já alcançou etapas importantes nas diversas competições. Ao contrário do Porto que agora só tem o campeonato. Na próxima época os dois primeiros classificados qualificam-se automaticamente para a fase dos grupos da Liga dos Campeões. O terceiro terá de disputar um sempre difícil e imprevisível play-off. Daí que, nesta Liga, ser segundo não será tão mau como habitualmente. Porque, hoje, num tempo em que se acabaram os financiamentos da banca, os milhões da Liga dos Campeões - só o Benfica esta época já arrecadou 20 milhões de euros - são vitais para a sobrevivência dos grandes clubes. Por isso, para alguém mais atento, é fácil perceber as recentes críticas as arbitragens do Porto e do Benfica. O Benfica, com razão diga-se, sentiu-se prejudicado em Coimbra e na Luz contra o Porto. O Benfica, não perdeu na Luz contra o Porto, só por causa do árbitro. As lesões de Garay e Aimar, a expulsão de Emerson e as opções discutíveis de Jesus também ajudaram. Mas com a validação daquele golo, em flagrante fora de jogo, Pedro Proença tirou um ponto ao Benfica e ofereceu dois ao Porto. Já o Porto, que não podia ficar calado, foi buscar as arbitragens antigas e pasme-se, num jogo sem casos, cai em cima do árbitro, na meia final da Taça da Liga que perdeu e bem para o Benfica. Pinto da Costa e Victor Pereira prestaram-se ao ridículo em nome de pura estratégia. A novidade é que Pinto da Costa já não falava de árbitros há muito tempo e agora, mesmo sem razão, voltou a carga, sinal evidente de nervosismo. O Sporting eliminou na liga Europa o Manchester City. Parabéns. Foi a vitória da humildade sobre a sobranceria. E um alento para a nova direcção do Sporting que investiu, como nunca, na formação deste plantel. O Marítimo, por culpa própria, falhou uma descolagem ao Sporting na luta pelo quarto lugar. Se realmente quer o quarto lugar e não se dá por feliz com o quinto, não pode ser tão displicente. Mas é uma época a todos os títulos notável. Quanto ao Nacional, que não ata nem desata, como também já aqui havia dito, o melhor é pensar na próxima época. Porque até o sexto lugar já se afigura difícil.
Rui Abreu, Chefe de Gabinete da CMF