O novo Ministro espanhol com a tutela do Turismo, José Manuel Soria, criticou há poucas semanas a prática de subvenções às LCC - Low Cost Carriers por parte das entidades regionais e locais do país vizinho, afirmando que "SÃO PÃO PARA BOCA HOJE E FOME PARA AMANHÃ". Justificou a crítica com o facto dos subsídios às LCC constituírem práticas discriminatórias, que deterioram a imagem dos destinos e consomem elevados recursos públicos. Disse tudo isto no contexto de um país que é um dos destinos europeus com maior penetração das LCC e que mais ameaças recebe destas companhias de retirarem as rotas caso não recebam os valores que EXIGEM. A 30.11.07, na linha do que o Ministro Soria agora denuncia publiquei, neste diário, um artigo intitulado "Vamos pagar para que nos visitem" onde criticava a opção dos subsídios às companhias aéreas por promover a médio longo prazo, de FORMA SEGURA, "marcas de transporte aéreo" e "rotas" facilmente deslocalizáveis e, de FORMA EFÉMERA, "destinos turísticos", por gerar distorções concorrenciais entre companhias aéreas e operadores turísticos altamente lesivas de um ambiente saudável e incentivador entre todos os canais de distribuição do destino e, por esta política, se constituir um incentivo à dependência, um "Valium" que ajuda a disfarçar o problema mas que gera uma dependência sem retorno. Lamentavelmente, a degradação do nosso macro produto turístico e o pavor que temos do grau de exigência que impõe a construção e implementação de orientações estratégicas coerentes e consistentes, levou a centrar as nossas opções no conforto do facilitismo das políticas imediatistas da promoção do destino centrada nos subsídios às companhias aéreas como o receituário milagroso para todos os nossos males. E isto acontece porque se vendeu brilhantemente (tenho de admitir) a ideia "easy" e popular que os maus resultados do nosso destino se devem à falta de transporte aéreo. Uma soberba e envaidecida falácia cuja única "virtude" é desviar a nossa atenção do essencial, deixando-nos embevecidos no debate do acessório enquanto o essencial é continuadamente adiado pelo medo que gera um planeamento sério - os 5 P's "Proper Planning Prevents Poor Performance" não entusiasmam o nosso ADN. E foi nesta táctica rotulada de visionária que lançamos políticas de subsídios geradoras de resultados no imediato e de dependências insustentáveis no médio longo prazo. Foi a opção pela desorientação! E a realidade é que a aposta da Madeira nos subsídios às companhias aéreas não se está a traduzir em crescimentos consistentes. O nosso destino continua a registar níveis muito baixos de procura, taxas de ocupação que nos melhores anos não passam do aceitável e revpar's insuficientes para viabilizar qualquer investimento. Sejamos realistas e responsáveis, o problema do nosso destino é falta de procura resultante da falta de notoriedade do destino e este problema estrutural tem de ser curado indo às causas das causas. Matéria sobre a qual já me debrucei em anteriores artigos. Mas se bem conheço a nossa forma de actuar, vamos continuar a insistir no erro quando, o que cada vez menos temos, é tempo para actuar no essencial de forma a garantirmos o nosso futuro.

João Welsh, Vice-Presidente APAVT