Há algumas semanas pudemos assistir a declarações polémicas da Chefe do Governo Alemão sobre a aplicação dos fundos europeus na Região. Apesar de ser uma peça forte do panorama Europeu, eticamente, não será correcto uma Chefe de estado de um país falar de um outro da forma como o fez. Na sua opinião, os fundos deveriam ter servido para apoiar financeiramente pequenas e médias empresas e não para túneis e estradas. Ora esta atitude só vem relevar as opções erradas que têm sido tomadas no que concerne à actual situação financeira do "Velho Continente", pois a meu ver, esqueceu-se do mais importante. Para além de falar de um sítio que por certo, sobre ele, não tem conhecimento, revela que esperava tornar um mercado com cerca de 270 mil pessoas, fragilizado pela insularidade, com pouca mão-de-obra qualificada, microempresas, infraestruturas desadequadas e com pouco poder legislativo, num mercado competitivo. Se tivermos em conta que o PIB na Região passou de 40 para 103 por cento da média comunitária terão sido os fundos comunitários, então, bem empregues? Numa primeira fase foram. Na segunda se calhar nem tanto. Se aumentaram a competitividade? Talvez pouco, visto terem sido criadas infraestruturas que neste momento encontram-se sub-aproveitadas, ou as que não o são, acabam por estar entregues sempre ao mesmo. Seja como for não considero que seja razão suficiente para as declarações proferidas. Entre outros motivos não podemos ignorar que existem regiões que receberam mais fundos comunitários do que a Madeira e que continuam a manter níveis de desenvolvimento muito semelhantes aos iniciais.
Vítor Andrade Colaborador da AAUMa