É possível medir a felicidade? Pegar ao colo uma palavra e medir-lhe o peso, o calor, o respirar tranquilo ou violento? É possível a vida sem todos os livros que a fazem como vulcões que desenham ilhas com homens certos? É possível esta violência de ficar a ouvir o que nos salva e, depois de tudo e de nada, saber que não somos originais? É possível sermos piegas e ridículos num movimento ainda assim feliz?
Se todas as perguntas procuram respostas, como naqueles jogos da infância em que nos escondemos apenas para que nos encontrem, tudo isto é possível e impossível num movimento constante e concreto que nos desassossega e tranquiliza num mesmo passo e compasso, na mesma música que tentamos descobrir de cor(ação).
Sim, é possível sermos felizes, piegas, violentos, originais e por isso respiramos e sentimos e corremos de mãos e olhos abertos em dias como estes.
É possível misturar gatos, baldes, futebol, amor, agências de rating e poetas e harpas e imagens e livros e palavras e música. É possível trazer o mundo por dentro de tudo isto e de nada disto ou de outra coisa qualquer.
É possível ainda esta cidade traçar o rumo impresso das palavras como se esse fosse o único destino possível de desenhar.
É possível ainda tanta coisa que não sabíamos e aí está a felicidade cheia.
Felizmente há luar , amanhecer e festivais literários como este. Felizmente há música e palavras e livros e poetas e tantas outras coisas que não sabíamos.
Ainda é possível a ilha quotidiana surpreender-nos, encontrar-nos escondidos como nos jogos das crianças para sermos assim felizes, piegas, violentos, originais ou não.
Afinal, e como diria Valter Hugo Mãe, é possível o rochedo amadurecer para casa. Haja vontades e encontros como este e o rochedo ainda respira como nós.