Fábio Henriques Se há uns tempos a esta parte, existia em excesso de dentistas, hoje vivemos numa época em que os psicólogos proliferam nas diferentes páginas de anúncios. Em praticamente todas as esquinas do Funchal podemos encontrar um, como encontramos tascas. Estão nas escolas, nas empresas, nos clubes desportivos, em suma por toda a parte como os mosquitos de Santa Luzia nas épocas mais quentes. Hoje a sociedade anda triste, depressiva, sem alento, daí não ser estranho que se recorra cada vez mais a estes profissionais, que mais não fazem que instalar uma normalidade de rebanho, para que se mantenha uma espécie de 'statu quo' vigente. Até nas escolhas profissionais futuras dos jovens já têm uma palavra a dizer. Sim, falo naqueles testes de aptidão que os jovens fazem nas escolas para saber do seu ganha-pão futuro. Imaginemos que Camões tivesse frequentado essas consultas, e hoje não teríamos uns Lusíadas, Ronaldo podia ter sido dado como apto para padeiro, Vale E Azedo para Ministro das Finanças e por aí em diante. Não ponho em causa o brio profissional destes homens e mulheres. Mas acho que tal como quando temos uma constipação não devemos ir logo a correr entupir as urgências, também não acho de bom tom, ir a correr a um psicólogo porque tive uma discussão com alguém, ou porque ainda não tive sexo esta semana. Começo a desconfiar que os psicólogos são usados como uma espécie de vigilantes de Big Brother, para pôr na linha qualquer acto de rebeldia, qualquer acto de procura de felicidade espontânea, normalizar qualquer pessoa que consiga rir face ao absurdo da morte...