A este tempo de crise virá um tempo de renovação social. Que o Homem seja mais importante por aquilo que É, do que por aquilo que Tem. A História de Portugal é feita de grandes feitos - de todos conhecidos - de momentos menos felizes e de intervalos de algum equilíbrio politico, económico-financeiro e também artístico. Nos nossos dias, estamos a passar por um dos períodos mais difíceis de toda gesta Lusitana: um tempo de dificuldades, de incertezas e até de desalento. Quando os sinais do exterior vão no sentido de uma compra sucessiva a retalhos da nossa economia e o discurso do prémio Nobel da economia de 2008, Paul Krugman, avança com a ideia de baixarmos os salários em 20% a 30%, como se tivessemos, em Portugal, salários milionários para a grande massa da população activa, o desânimo vai tomando conta da alma do povo. Nunca o Fado fez tanto sentido e foi tão sentido, de facto, os portugueses - todos nós - vamos saber o que é o fado lusitano que, em ano de crise, foi considerado Património da Humanidade. Ver esta tirania do capital tomar conta de países, assistir ao aumento do desemprego; ao avanço veloz da fome; à perda de direitos básicos na saúde; ao isolamento e morte solitária de idosos; a crianças cada vez mais desprotegidas; a um empobrecimento imposto e a uma quase prostituição do país; dá uma dor muito grande na alma; a algum sentimento de impotência; a um sentimento de revolta; a uma vontade de contribuir para a mudança e ao mesmo tempo a uma fé muito forte que, apesar das dificuldades e com muito esforço de todos nós; tudo não passará de um período menos bom ao qual se seguirá um outro tempo de renovação social em que o Homem seja mais importante por aquilo que É, do que por aquilo que Tem. Em que a União Europeia seja, de facto, unida e solidária e não esta dupla cega que só se importa e reduz o homem ao valor do Euro.

Raquel Fraga, Historiadora de Arte