As pessoas perguntam-me muitas vezes o que espero do futuro. Gostava de ser capaz de dar uma resposta optimista. Gostava de poder dizer que acho que as coisas vão melhorar, e que voltaremos a ter anos bons. Gostava de poder dar esperança às pessoas, no sentido de uma melhoria. Gostava, mas não posso. Até pode haver uma melhoria nos números de visitantes. Mas não vai haver uma mudança estrutural no quadro do turismo da Madeira, e não vai haver mudanças por três razões distintas: porque não interessa ao poder instituído que haja mudanças. A necessidade de mudanças implicaria que a estratégia seguida está errada e, parafraseando o senhor Presidente da República, a administração regional "nunca erra e raramente se engana". Porque não houve uma mudança nas prioridades enunciadas para a Madeira: a aposta continua a ser no betão e na infraestrutura, mais do que nas pessoas e naquilo que realmente interessa, a sustentabilidade. Não se aposta na formação das pessoas porque estas poderiam aprender a pensar por si próprias, o que seria muito mau para o poder instituído. Não se aposta na sustentabilidade porque isto iria pôr em causa os rendimentos daqueles que verdadeiramente controlam a Madeira e o Porto Santo. Mas talvez isso nem seja importante, porque não sei se os clientes que nos visitavam noutras épocas ainda existem. Mas sei - ou pelo menos suspeito - que se existem, não é esta a Madeira que querem… E também sei que o futuro da Madeira não é, de maneira nenhuma, animador - excepto talvez para um grupo muito restrito de pessoas, cada vez menos conscientes de uma realidade de que são os grandes responsáveis.

Roberto Loja