Independentemente dos seus méritos políticos e falo no abstracto, é convencional chamar-se líder da oposição ao presidente do segundo partido mais votado. Os sucessivos presidentes do PS-M tiveram essa designação durante mais de três décadas na Região. Mas, um conjunto de circunstâncias que poderá, eventualmente, não se repetir, levaram o CDS ao patamar de maior partido da oposição nas últimas eleições regionais. E, quando era expectável, que depois de um resultado histórico conseguido pelo CDS ao eleger 9 deputados, o seu líder JMR optasse, claramente por cumprir o seu mandato na ALM, assumindo o seu papel de líder da oposição no combate político ao PSD e ao Governo Regional na preparação de uma alternativa política na RAM, eis que JMR decide pelo bem bom de Lisboa e dos corredores dourados da A. da República. É claro que o CDS e JMR têm o direito às suas opções, mas isso não significa que os eleitores, que votaram no seu partido, e todos aqueles que desejam uma alternativa se sintam confortados. Por exemplo, na semana que a ALM discute o pior Plano e Orçamento da história da autonomia, com consequências graves para a vida das famílias madeirenses e da economia, o líder da oposição, sendo deputado, não está presente no debate, porque não quer. Será que não considera este um momento importante para a vida da Madeira? Então o papel do líder da oposição é só dar conferências quando vem aos fins-de-semana à Madeira? Mais grave ainda é que tenhamos um líder da oposição madeirense que de segunda a sexta aprova todo o tipo de medidas de austeridade ao nível da AR, com aplicação na Região e ao fim-de-semana qual "Robin dos Bosques", amigo dos pobres da Madeira antes de apanhar o avião de regresso ao conforto de Lisboa. Há outros factores, é certo, mas é também por estas incoerências que a alternativa política ainda não aconteceu na Região. Não se constrói uma alternativa só com vaidades, muito dinheiro e declarações mediáticas. É necessário muito mais e acima de tudo seriedade.
João Isidoro - Presidente do MPT-M