Conheci o seu entusiasmo pelas causas educativas. Isabel Sena Lino era uma apaixonada pela educação no seu sentido mais nobre e profundo. Professora de toda a vida sentia-se bem isso na sua intervenção política e cívica. Fez o percurso da docência à direção de escola - sempre com determinação e segurança. Encontrei-a, sem exceção, na linha da frente dos bons combates, compreendendo melhor do que ninguém que era na comunidade educativa, na sala de aula, na relação entre pessoas, professores, alunos, educadores, escola, família, comunidade que a arte da educação se realiza. Desde há mais de vinte anos, quando a conheci, habituei-me a encontrar na cidadã ativa sempre um motivo de alento e ensinamentos. Afinal, em Educação nunca há receitas - há sim sempre o desafio duplo de despertar consciências para a liberdade e a responsabilidade e do construir, gradual e persistentemente, do desenvolvimento pessoal e da dignidade humana. Quantas vezes a ouvi, para meu benefício, sempre com a sua força de convicções e com um conhecimento autêntico de que os resultados na educação e na formação apenas se alcançam com trabalho, disciplina, rigor e persistência. Nunca está tudo pronto e alcançado - há sempre algo para completar, uma vez que o saber, o conhecimento, a inteligência, a imaginação se associam de modo inesperado e contínuo. E nunca lhe senti um impulso fácil ou imediatista, porque sabia muito bem que na formação das pessoas estamos sempre a semear para o longo prazo. A facilidade, o imediatismo e a demagogia são sempre inimigos da educação. Herberto Hélder disse-nos um dia: «Mover-se no terreno dos símbolos, com a devida atenção à subtileza e a certo rigor que pertence à imaginação de qualidade alta, é o que distingue o grande intérprete do pequeno movimentador de correntes de ar». A memória que nos deixa Isabel Sena Lino é a de uma educadora, que foi uma grande intérprete, ciente de que o melhor símbolo é o do reconhecimento de que aprender é o que distingue a qualidade e a vida. Isabel Sena Lino é um exemplo! A democracia muito lhe deve! E não a esqueceremos!
Guilherme d'Oliveira Martins