Se alguém ainda dava o benefício da dúvida a quem comanda os destinos desta finisterra, perante a impreterível necessidade de fazer sacrifícios devido à vaga de austeridade que se formou cá dentro mas que é incessantemente acusada de ter nascido lá fora, a tolerância esgota-se quando vemos o governo e maioria parlamentar que o suporta empenhados em defender os interesses da esfera do poder, propondo um Orçamento que é, além de um atentado ao bolso dos contribuintes, um atestado de incompetência a todos os madeirenses. Num quadro de austeridade fiscal sem precendentes, o executivo quer sacar a cada um de nós 523 euros para amortizar juros de 2012 da dívida contraída. Pois muito bem. Quando se chega a este extremo, a taxa de esforço exigida terá que corresponder a um benefício proporcional ao custo. Mas na verdade, o único proveito que dali sai, é o adiamento da dívida para o ano seguinte, sem ver garantido um sinal único do fim. Ao fim ao cabo, vamos perdendo de tudo um pouco para que o governo vá mantendo um pouco de tudo, incluindo o eterno vício no jogo de poder, não abrindo mão do jackpot de financiamento aos partidos e de um “empréstimo” de 3 milhões de euros para o JM, que são as suas predilectas máquinas de intoxicação da opinião pública. Só um regime totalitário terceiro-mundista pode priviligear a propaganda do regime em detrimento da saúde do seu povo. Nada além da inconsciência e da preversidade pode explicar, por exemplo, o corte nos imunossupressores imprescindíveis para o tratamento de doentes transplantados no hospital do Funchal (que o DIÁRIO revela na edição de hoje), quando não falta dinheiro para pagar escribas imune-opressores e jornais oferecidos, como aquele que é suportado pelos contribuintes e tutelado pela Igreja, que não deixa de ser conivente nos empréstimos quer da caridade cristã como da porta dos templos a esta cruzada déspota. Jornais onde a liberdade editorial está na dependência ditatorial, a opinião cativa de escribas de odes à política executiva regional, onde o pluralismo é uma farsa, o jornalismo se confunde com a assessoria e a concorrência desleal conduz deliberadamente à ruína os órgãos de informação de capitais próprios, que dependem do mercado livre para sobreviver, fiéis à verdade e ao interesse público. Quando a política “deixa de ser a ciência do bom governo para se tornar na arte da conquista e da conservação do poder” (Luciano Bianciardi), deixa de haver moral para governar, quanto mais para exigir...