Sem ser exaustivo, deixo-vos cinco assuntos susceptíveis de não serem o que parecem.
1. O presidente que está a usar os adros das igrejas para alegadamente explicar a austeridade não é o do Governo de alguns madeirenses. O ‘endireita’ é afinal o líder do PSD-M, que nas homílias do último mandato vai avisando o partindo para escolher com serenidade o seu sucessor . Este Chão da Lagoa antecipado não serve só para avisar que vai deixar “as finanças arrumadas", como se fosse possível em três anos resolver distorções com mais de 30. E porque o assunto se esgota rapidamente, Jardim vai aproveitando o tempo seco para minar o PSD, advertindo o povo “fiel, estóico e valente” para a necessidade de encontrar uma alma caridosa que pegue no leme de sedes e fundações onde já vai faltando pachorra porque já não há dinheiro fresco.
Cautela que não será um qualquer voluntarioso, de famílias bem, com jeito para as novas tecnologias ou com cartão de militância desde tenra idade. Terá que ser “uma pessoa”, o que já não é mau, mas com um perfil à medida: “Tem que ter o juízo suficiente para pensar, para escolher bem. Toda a gente sabe que não basta ser um ‘gajo porreiro’ para ser um líder político, ser bem visto dentro do partido, tem que ser uma pessoa aceite pela população". Ninguém duvida que o PSD-M profundo consiga encontrar “uma solução que agrade e dê confiança ao povo". O problema, para eles, é fazê-lo de forma sossegada.
2. Outra fraude que tem sido repetida nos adros do jardinismo fervoroso é que o Estado português não investiu um euro na Região. A memória fraca julga que o perdão da dívida no tempo de Guterres, os empréstimos mais recentes, as transferências mendigadas e os subsídios de mobilidade vieram de Marrocos. Como não há oposição por perto - o que não se compreende - ninguém exerce o contraditório. E assim o disparate ganha dimensão.
3. “Os orçamentos da Região sempre foram de rigor”. Alberto João Jardim profere esta certeza como quem abre a boca depois de um dia de intensa produção intelectual. E as contas escondidas? E os encargos assumidos e não pagos? E os trabalhos a mais? E as dívidas a fornecedores? E os ajustes directos? E a subsidiodependência? E os emprétimos a empresas falidas nunca saldados? E os avales dourados?
4. ‘A Ampliação do Hospital Dr. Nélio Mendonça’ foi decidida há um ano. Passado este tempo nada foi feito, e o povo a sofrer e pior, a morrer. Por esta altura, há apenas projectos, sem custos, logo, sem pressas. Mesmo assim, a obra entra no PIDDAR de 2012, sem qualquer verba atribuída. Apenas para que conste, para fazer número. E o povo pergunta: se não vai avançar já, para que é que está nos documentos orçamentais? O secretário dos Assuntos Sociais responde: “Não há pachorra para aturar o Diário”!
5. O Rali Vinho Madeira não tem influência na escolha no destino turístico. Um estudo feito por ‘Porto Bay’ junto dos seus clientes prova-o. Eu até acho que tem, pois já ouvi vários hoteleiros garantirem o contrário, que há turistas que fogem da Madeira quando há eventos que perturbam o sossego que lhes é vendido. A fraude neste caso tem a ver com a criação de falsas expectativas, expediente em que alguns irresponsáveis pelo turismo na Madeira são peritos.
P.S. - Nos últimos dias senti a dor e a revolta que a morte da Ana Teresa Fernandes, da Susana Fernandes e da Isabel Sena Lino provocaram. A minha homenagem a quem deixou marcas e valores numa sociedade muitas vezes distraída. Arrepia-me que nenhuma destas três grandes mulheres, que continuo a admirar, tenha atingido os 82 anos, a idade da esperança de vida feminina. Por isso, peço-lhes que, onde quer que estejam, nos iluminem, de modo a que nos tornemos mais activos e decisivos para que, por exemplo, todas as mulheres possam ver os filhos crescer e ser felizes.