Nos últimos dias aconteceram tantas coisas que é difícil escolher apenas um tema para falar. Mas porque nunca é demais lembrar, é preciso que não esqueçamos o nosso dever de cidadania da luta por um mundo melhor. Sei que muitas pessoas deixaram de acreditar que lutando consigamos mudar o curso dos acontecimentos negativos em curso. É verdade, podemos não mudar nada mas pelo menos fica a consciência que não ficamos sentados no sofá a assistir ao funeral dos direitos conquistados sem nada fazer. Sei que vão dizer que estou a "bater" nos mesmos temas. É mais fácil escrever belos artigos, com grande cadência literária e até poética. Como já perceberam eu não tenho veia de poeta e também sei que não é isso que preocupa a maioria das pessoas que nesta terra e neste País querem acreditar que vale a pena aqui continuar a viver e a criar os seus filhos. Sei que é impressionante a continuação do discurso dos governantes que de uma forma insensata e até provocadora, continuam a não dizer nada como vão resolver os problemas das pessoas que estão desempregadas, que não têm rendimentos, que vivem a contar os cêntimos quando os têm, para poderem chegar com alguma dignidade ao fim do mês. Que não dizem nada em relação ao futuro dos/as jovens que depois da escolaridade não têm qualquer espectativa de conseguir entrar no mercado de trabalho. Que não apresentam qualquer solução para que acreditemos que este buraco em que vivemos tem fundo e um dia vamos sair dele. Pelo contrário continuam a tapar o sol com uma peneira tratando-nos como se fossemos uma cambada de burros, que sofremos em silêncio e às escondidas, sem reagir, com um medo medonho de coisas que já estão a acontecer mesmo com o nosso silêncio. Fala-se muito dos Gregos e da Grécia, até de uma forma negativa, mas esquecemo-nos que pelo menos a eles ninguém pode acusar que não lutaram e que aceitaram de livre vontade um corte nos seus direitos. Pelo menos são um bom exemplo de participação cidadã que deveria merecer o máximo respeito de todos nós. Muitos dos/as leitores/as costumam questionar, mas que fazer de diferente para sairmos desta situação? Em primeiro lugar seria mudar os políticos do poder que já demonstraram que não têm competência para gerir os nossos destinos. Infelizmente essa não foi a resposta da maioria dos que votaram. Então há que exigir aos que estão, que pelo menos, mudem a forma de fazer politica e tracem outro tipo de prioridades que envolva um verdadeiro plano de emergência social e económica que ajude os que verdadeiramente precisem. Dinamizar a economia, particularmente as pequenas e médias empresas que estão com problemas com o objectivo de garantir os postos de trabalho. Dinamizar a criação de mais postos de trabalho em sectores que são rentáveis, apoiar os sectores que são o suporte da economia regional. Aproveitar a Zona Franca para incentivar a que mais empresas nela invistam e criem mais postos de trabalho, acabando com o Off-Shore de lavagem de dinheiros. Continuar a investir no sector público indispensável e sério, que pague a tempo e horas, criando transparência e responsabilidade de todos. Acabar com tudo o que seja supérfulo e desnecessário como as várias Sociedades de Desenvolvimento, vários Institutos Públicos, Fundações, etc…, integrando os verdadeiros trabalhadores, não os assessores tachistas, nos sectores necessitados e em outros a criar. Investir em mais apoio social à terceira idade e na "reciclagem" das pessoas desempregadas para serem integradas em outros sectores dando-lhes a formação adequada, tratando-as com a máxima dignidade. O caminho apenas dos sacrifícios, sempre para os mesmos, ou então do compadrio e do salve-se quem puder tem de dar lugar ao caminho da participação cidadã livre e responsável de luta e de reivindicação séria e responsável e a greve geral do dia 22 de Março é uma oportunidade a não perder. Vamos dar as mãos e exigir outra política para mudar o rumo da nossa Terra e do nosso País.
Guida Vieira