O Orçamento de 2012 não deixa nenhuma margem para dúvidas: a Madeira precisa de um outro rumo e de uma ruptura efectiva com o passado. O documento que irá a discussão a partir de amanhã, proposto pelo Governo Regional, num Parlamento a precisar de ar fresco, de mudanças e de liberdade, é um retrocesso na vida dos madeirenses. Mas pior que isso. É um mão cheia de desesperança, receios e perigos potenciais que destroem o futuro de qualquer sociedade. É por isso que se exige dos políticos da Madeira, mais do que propensão habitual para a defesa do seu "poio"; mais do que a busca de uma notoriedade oportunista, perseguida a todo o custo, ultrapassando limites do bom senso e revelando, por vezes, lacunas de carácter; mais do que uma esperteza burlesca, mas mediática, capaz de revelar contradições escondidas; mais do que um esbracejamento esquizofrénico baseado em técnicas popularuchas apelidadas de "expertise" de uma qualquer ciência de comunicação. Mais do que tudo isto, a Madeira precisa de um projecto de poder alternativo, construído com criatividade, arrojo e sentido de responsabilidade. Os madeirenses precisam de uma nova solução. Mas não apenas uma solução diferente. É indispensável um rumo que evite construir uma nova realidade assente nos "restos" do regime que ainda suportamos. Portanto, quero dizer de forma clara que defendo uma proposta política que não esteja dependente da "lixeira governativa" criada pelo PSD-M ao longo dos últimos anos. De um contrato com a população que assegure uma solução criativa mas que não dependa, em nenhuma circunstância dos vícios e dos compromissos de um governo que desgraçou uma parte significativa do potencial da Madeira. O ainda maior partido da RAM, o PSD-M, não tem capacidade de se reinventar e muito menos afastar-se do código genético que conduziu a Madeira à situação actual. Mas não está condenado, poderá fazê-lo, mas só possível com uma "cura de oposição". O CDS-M, por seu lado, defende uma solução que envolve a herança do PSD-M, envenenando seriamente a mudança que a RAM precisa. É por isso que as circunstâncias exigem a construção de uma efectiva alternativa. Um projecto de futuro, integrador que faz da mudança o seu núcleo central e dinamizador, sem vícios e bengalas. É para isso que trabalhamos.
Carlos Pereira, Líder parlamentar do PS-M