Sousa Fernandes O comportamento do chefe de Estado faz pensar que as 40 mil assinaturas andam a morder as canelas do presidente. Na actualidade há outro entretenimento que só por manter-se à distância é que não permite esmurrar o "boneco". Parece que algo surtiu efeito. Além do efeito desejado, as assinaturas irão produzir uma série de acontecimentos. Mas, por enquanto, a reviravolta é outra. O staff presidencial se acotovelam às escutas em querer saber o que os outros dizem e procuram, na busca das redes sociais, algo que faça o presidente feliz. Escutaram há dias o burburinho, coisa de boca-pequena em género de bafo-popular que José Sócrates admitia ser um possível candidato à presidência da República portuguesa. O dito, propositado ou não, destroçou o coração de Cavaco Silva. O Povo é inteligente, diz coisas bonitas. Enquanto Cavaco não sai e para que não abra mais a boca ofereçam-lhe algo com que se entretenha. Talvez, e porque não um cão-de-água ou um cágado de duas cabeças? A obsessão pelo cargo, senão para manter imunidade e ficar impune, é coisa da psique. O lapsus linguae é costumeiro e surge como última tentativa num gesto que se define como sendo uma atitude emocional e bem parecido, segundo algumas doutrinas psicanalíticas, com o comportamento que todas as meninas têm para com a sua mãe em relação ao pai. Do presidente trata-se de uma atitude que implica uma identificação tão completa com a cadeira presidencial e não admite um qualquer pretendente. É o mesmo sentimento que a menina deseja, inconscientemente, eliminar a mãe e possuir o pai.