Eu lembro-me quando o povo Português se reuniu pela última vez para fazer algo grandioso, algo histórico e de que nos podemos todos orgulhar. Expandimos um pouco a nossa compaixão para abarcar o sofrimento dos Timorenses e o país inteiro vibrou em sintonia pela paz. A comunidade internacional reconheceu a incontornável força desta mobilização nacional, e conseguiu-se um referendo à auto-determinação do povo Timorense. Que grande feito! Esta pode ser a nossa vocação universal, o nosso desígnio! O Tibete está oficialmente fechado a visitas do exterior até finais de Março. É uma situação recorrente, a razão mais recente prende-se com a escalada de imolações pelo fogo de Tibetanos em protesto contra a ocupação Chinesa, reclamando o regresso de S.S. o Dalai Lama e exigindo a restauração da liberdade no Tibete. Desde a ocupação já morreram mais de um milhão de Tibetanos, ou seja cerca de um em cada seis. O Tibete é um estado policial com cerca de cinco polícias para cada Tibetano, massacres, prisões arbitrárias, torturas, esterilização forçada a mulheres Tibetanas, transferência massiva de Chineses para o Tibete, são estas e outras as políticas do regime Chinês e que uma Comissão Internacional de Juristas, classificou como sendo "Evidência de uma intenção sistemática de por actos de genocídio e outros destruir completa ou parcialmente os Tibetanos como nação...". Os Tibetanos lembram hoje, 10 de Março, o levantamento popular pacífico de 1959 contra a ocupação Chinesa que resultou na morte de mais de 80 mil pessoas. Porque não se fala disto? É porque o nosso mundo globalizado está refém de uma classe política instalada nos governos nacionais, na ONU e Conselho de Segurança, toda ela por sua vez refém de interesses económico-financeiros que valorizam acima de tudo... o dinheiro. Como na sociedade o egocentrismo e a ilusão do bem estar pelas posses é dominante, esta acaba por sancionar os atropelos aos direitos humanos com indiferença ou mesmo conivência. A luta pacífica do povo Tibetano pela libertação continua à espera de encontrar eco no mundo dito livre, eco em pessoas que não olhem para o lado, mas consigam expandir um pouco mais a sua atitude solidária e compassiva. Nós Portugueses já o demonstramos, temos as características certas para liderar o mundo, não pela força das armas, não pela força do dinheiro, mas pela força infinitamente mais poderosa da bondade compassiva. Seria só saber reorientar o nosso potencial!

Rui Almeida, Presidente do PAN-Madeira