É claro que nos referimos ao Musician Union, o sindicato dos músicos da Inglaterra, reconhecido por todos como um exemplo mundial, no que diz respeito à salvaguarda dos interesses profissionais de músicos, compositores e artistas daquele país. Fundado em 1883, reúne actualmente mais de 30.000 músicos-sócios, de todas as áreas e estilos. Dos numerosos benefícios cobertos pelo sindicato, estão a proteção legal, os sistemas de seguros, saúde e pensões e o aconselhamento artístico. Com representação em todas as cidades, um jornal, um site onde publicitam as ofertas de emprego, promovem ainda cursos, conferências e workshops de grande interesse. Os autores/compositores podem registar as suas obras no sindicato, existindo ainda acordos de desconto com lojas de música. A tradução não acompanha o significado desta organização e estrutura. A dinâmica sócio, cultural e política da Inglaterra, atribui-lhe um estatuto de parceiro incontornável. Em pano de fundo as leis laborais, a inspeção das actividades e um tronco comum de cumprimento de regras ou, em seu lugar, direito a sanções e multas. As editoras discográficas, os empresários dos teatros, as cadeias de rádio e televisão e de um modo geral a indústria das artes de palco, cumprem a lei. Como se sabe a Inglaterra partilha a liderança, a par dos Estados Unidos da América, de tudo o que se relaciona com práticas musicais e direitos de autor. Há poucos dias, outra organização inglesa, representante dos professores de música (MusicTeachers.co.uk), mencionava a parceria com o sindicato. A importância deste enlace entre músicos e professores de música, duas faces da mesma moeda, é simbolizada na profissionalização dos seus membros. Por cá, tomam vantagem as associações sem fins lucrativos (!), que introduzem no circuito musical projetos a baixo custo. O Mercado artístico insular carece de regras. É nosso dever, clarificar e distinguir: quem faz a música em tempo livre de quem faz a música como profissão.
Vítor Sardinha, Músico