Tive oportunidade de assistir no Baltazar Dias, a um teatro musical com este título, integrado nas comemorações dos 25 anos da Associação Grupo Cultural "Flores de Maio" do Porto da Cruz. Foi sem dúvida uma verdadeira prova da qualidade artística dos grupos amadores que integram aquela Associação. Mais uma vez se provou que mesmo com poucos recursos, é possível realizar bons espetáculos. De referir a qualidade do libreto de Abel Mendes onde tão bem retrata a sociedade daquela vila, os seus usos e costumes. Uma revelação: o João Caldeira que se estreou como compositor e diretor musical. Em nossa opinião, deve dedicar-se também a esta área pois tem todo o talento necessário. Na direção de cena a Filipa Silva que desenvolveu um trabalho interessante colocando em palco desde os mais idosos às crianças que frequentam as atividades da Associação - um verdadeiro trabalho intergeracional. Não posso deixar de lembrar o saudoso Sr. Eduardo Caldeira (re-fundador desta Associação). Acredito que sentiria um enorme orgulho ao ver em palco quase toda a sua família, alguns deles com papéis importantes para o sucesso desta performance. Penso que o seu sonho se concretizou: ver o povo da sua terra dedicado às artes. Mas se a "Flores de Maio" tem hoje esta dinâmica é, sem dúvida, graças ao seu atual presidente (também intérprete neste espetáculo) o Virgílio Caldeira, que continuou os passos do seu pai e ampliou os seus sonhos, de alma e coração. De referir que as várias apresentações contaram com uma adesão significativa de público, o que prova que a nossa comunidade vai aderindo aos espetáculos de qualidade e pagando o seu ingresso, como aliás deve ser, para ajudar a custear as despesas dos mesmos. Mais um bom exemplo para outras Associações Culturais que poderiam, com inovação e criatividade, apostar em projetos de simbiose artística e desta forma contribuírem para a criação de mais hábitos de consumo cultural.
Carlos Gonçalves, Docente do Ensino Superior