Numa altura difícil para o desporto regional, não podemos deixar de enaltecer a 4ª participação consecutiva de José Casanova nos Jogos Olímpicos, só batido pelo inigualável João Rodrigues na Vela. Em Londres, Casanova (dirigente da Federação Internacional de Voleibol) será o máximo responsável pela arbitragem do voleibol de praia. Se bem que os "atores" principais sejam os atletas, passando os treinadores, dirigentes e árbitros um pouco despercebidos, não deixa de ser prestigiante e de elevada responsabilidade esta nomeação. Ainda antes de começarem os Jogos, já ganhamos uma medalha de ouro. Esta notícia torna-se ainda mais importante se levarmos em conta a crescente diminuição do número de árbitros na RAM, com particular incidência nos escalões etários mais jovens e nas categorias mais baixas. É verdade que temos um grande número de árbitros internacionais, mas as reduzidas nomeações dos últimos tempos não auguram um futuro risonho. Só uma congregação de esforços, rentabilizando e reduzindo custos, poderá fazer com que tenhamos mais árbitros a breve prazo, de modo a elevarmos a qualidade do ajuizamento desportivo na RAM. A começar na escola, onde para além de importante fator educativo e de compreensão das regras e da função, possa despertar os jovens para a arbitragem, numa simbiose entre a Ed. Física, o Desporto Escolar e o Federado. Os juízes da RAM estão conscientes destas dificuldades e disponíveis para colaborar nos sacrifícios que terão que ser impostos a todos. Mas não podem deixar de exigir que, de entre o pouco que há para distribuir, uma parte seja destinada à arbitragem. Não podem continuar a aceitar a falta de apoios que lhes é dirigida com a justificação que tal se deve ao momento atual por que passamos. A não ser que se entenda que a qualidade e a credibilidade da competição não passa por termos mais e melhores árbitros. Até estarão dispostos a fazer trabalho voluntário, pois a grande maioria está na arbitragem por paixão, quando outros técnicos e dirigentes também o fizerem. A justiça e a verdade desportiva também passam por impor uma redistribuição equitativa dos esforços e não só pela bondade das decisões exigida aos juízes numa qualquer competição.

Elmano Santos, Presidente da ATARAM