Vários jornalistas estrangeiros passaram pela Região nas últimas semanas. Não vieram de férias, nem com viagem paga por quem promove o destino. Muitos nem são do 'trade', nem das revistas ditas sociais. Descobriram a ilha "desonesta" recentemente, à conta da dívida escondida e do resgate anunciado, mas também das trapalhadas políticas e das vergonhosas ofensas parlamentares que custam ao povo 5 milhões de euros. Passados cinco dias de reportagem, de conversas possíveis, já que a taxa de recusa é elevada, e feito o balanço à generosidade europeia, perguntam se há fortunas escondidas nas Desertas, quintas no Brasil ou contas na Suíça. Perguntam se é fácil provar corrupção porque indícios não faltam, jogos de influência e privilégios ilegais. Perguntam pelos trunfos de uma estratégia governativa, até hoje vitoriosa, que apesar de ter enterrado fundos em banalidades, de ter a esperteza saloia ao esconder uma dívida de 6,5 mil milhões de euros e de agora submeter todo um povo a uma carga fiscal insuportável e a um ajustamento financeiro sufocante, mesmo assim, ganha eleições e não sofre qualquer contestação pública. Perguntam se a manifesta ultraperificidade, consagrada no tratado europeu, é assumida localmente. Ou seja, se os políticos e os decisores da ilha tratam como prioritário o que é importante e se estão conscientes que sem transportes e sem turistas a Madeira volta a ser o que era antes de ser descoberta. Perguntam para que servem levadas, mar, paisagem, floresta, gastronomia, folclore, artesanato e flores, se não são decisivas nem têm força para fazer esquecer o descalabro financeiro e político que os trouxe por uns dias à Região. Mesmo sem falar com quem devia responder com propriedade a todas as questões, um jornalista que por cá passou confidenciou-nos que o presidente do Governo desfez muitas dúvidas, ao assumir publicamente de uma assentada que passaria a "dar toda a prioridade" aos madeirenses em vez de privilegiar "pára-quedistas". Para já, as construtoras de fora estão ameaçadas. Será que governo se prepara para usar o mesmo critério quando começar a despedir funcionários públicos? Eduardo Jesus, Economista O presidente da Ordem dos economistas na Madeira voltou a colocar dedo na ferida de um sector que sangra e a abanar as consciências adormecidas. Fê-lo de forma sustentada e a exigir estratégia dos decisores. O Turismo agradece. Élvio Sousa, Arqueólogo Obteve 20 valores numa tese em que aborda três séculos de arqueologia insular, distinção que valoriza o seu trabalho. Uma nota máxima que deve servir de incentivo a todos quantos investigam pacientemente nesta terra. Mário Figueiredo, Presidente da Liga O futebol bem precisa de novas ideias, geradoras de riqueza e de notoriedade. Mas também de atenção às especificidades. Ao assumir que vai estar atento às dificuldades acrescidas dos clubes madeirenses marcou pontos. Jaquelino Rodrigues, Cidadão Uma dádiva numa semana de más notícias para os nossos mais velhos. Receber o certificado da 4.ª classe aos 92 anos incentiva a nunca desistir de aprender, encoraja todos os que lutam contra a solidão e é gratificante para quem ensina. Paulo David, Arquitecto O júri que lhe atribuiu mais uma distinção internacional sintetizou o que vai na alma dos madeirenses que se orgulham do seu valor e do seu trabalho: a arquitectura de Paulo David "é uma resposta e não uma imposição".
Atraídos pelo descalabro
O governo indicia que quem não for madeirense corre perigo na era dos despedimentos