João Freitas Antes das eleições regionais de 9 de Outubro ùltimo, alguns membros de destaque do partido do Governo na RAM diziam não ser necessário a auditoria às contas públicas da região. O facto de ter sido pedido ajuda financeira externa porque a região não tinha liquidez era condição necessária para ambas as partes (Governo Central e RAM) conhecerem qual o estado das contas públicas regionais para que houvesse um momento referencial do antes e depois da ajuda externa e até para determinar qual o montante da ajuda a disponibilizar. Feita a auditoria, os resultados totais em dívida da região foram revelados: 6,3 mil milhões de Euros. Também resultou desta operação a detecção de ocultação de dívida da região às instituições nacionais às quais deveria ter sido reportada. Desde o anúncio de falta de liquidez e pedido de ajuda externa decorreram 5 meses para que o plano de ajuda financeira à região fosse explicado e assinado pelos responsáveis do Governo da RAM. Durante esse período houve um constante jogo de informação e contra-informação, como o de que não haveria aumento de impostos… Até que em momentos de ser anunciado o referido plano a informação passou a ser outra, como: "vamos penar" e as "famílias madeirenses terão de fazer sacríficios"…. Quando leio o profundo filósofo e poeta, Agostinho da Silva, cujo pensamento destaco: "….Há também os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir é o domínio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um coração de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o vão desejo de mandar…" (Citador: "In Considerações") E aqui chegados reescrevo o pensamento de Vergílio Ferreira: "O comum das gentes (de Portugal) que eu não chamo povo porque o nome foi estragado, o seu fundo comum é bom. Mas é exactamente porque é bom, que abusam dele. Os próprios vícios vêm da sua ingenuidade, que é onde a bondade também mergulha. Só que precisa sempre de lhe dizerem onde aplicá-la. Nós somos por instinto, com intermitências de consciência, com uma generosidade e delicadeza incontroláveis até ao ridículo, astutos, comunicáveis até ao dislate, corajosos até à temeridade, orgulhosos até à petulância, humildes até à subserviência e ao complexo de inferioridade. As nossas virtudes têm assim o seu lado negativo, ou seja, o seu vício." (in "Conta Corrente 2", Citador).