Rui Caires Em Portugal não existe o muro das lamentações, mas, colectivamente, carpimos as mágoas numa auto-flagelação impressionante. O poder político sedeado no continente da República, vergado pela Troika, encontrou uma válvula de escape na Madeira, dado o desvio colossal das suas contas públicas, branqueando outros buracos monumentais. O poder instituído, a nível Regional culpabiliza os "cubanos" associados aos representantes da Madeira Velha pelo espartilho que nos colocaram, depois dos tempos áureos de desenvolvimento pelo grande Timoneiro das Ilhas. Este espírito doentio impede-nos de ver com clareza os factos. A ajuda da Troika é uma trampa, não funcionou no caso Grego, nem vai funcionar em Portugal, por cauda da natureza de uns e de outros. A troika é gente endinheirada que empresta, mas leva coiro e cabelo e os portugueses aplicam a receita aos mesmos de sempre. Uns ficam sem subsídios e outros com dinheiros públicos compram carrinhos de golfe. Não há seriedade, senso patriótico, responsabilidade e a clarividência de pedir aos senhores do dinheiro uma moratória para pagar o empréstimo, sob pena de desarticularmos o país, vendendo ao desbarato o que ainda vale alguma coisa. E, decretar pena de prisão aos senhores que assinam a compra de carrinhos de golfe com o dinheiro de todos os portugueses. Em relação à divida regional e à troikazinha portuguesa foi implacável com os madeirenses, (faz-me lembrar uma passagem do evangelho de um tal que devia a um senhor e foi pedir o perdão da dívida, mas que por sua vez era credor de quantias menores de outros servos….) esquecendo que somos uma Região ultraperiférica e que a vida ficará insustentável por cá. Havia outras formas de penalizar o esbanjador, sem causticar os demais. O aprofundamento da autonomia pelas gentes na Madeira Nova foi tanto que a perfuraram. Sem remédio. Somos, sem dúvida, uma província e mais valia ter um Presidente da Junta Geral. Era mais barato do que este faz de conta que é autonomia, dadas as contas de rol de mercearia que terão de ser apresentadas. Haja verticalidade de quem nos conduziu a este desfecho.