Quando penso na situação em que está a Madeira e como ela se agravará nos próximos tempos, com a redução de salários, cortes de apoios sociais e aumento brutal de impostos, só me vem à memória a frase : "só vos posso prometer sangue, suor e lágrimas", dirigida por Winston Churchill aos ingleses na Segunda Grande Guerra. Salvaguardadas as distâncias e as dimensões entre uma guerra mortífera e uma paz podre com austeridade, as consequências não sendo as mesmas, serão, no entanto, muito dolorosas para o povo madeirense. Vamos assistir, inevitavelmente, ao agravamento da recessão económica com mais falências e desemprego. Vamos ver, infelizmente, muitas famílias caírem na pobreza e cidadãos na extrema miséria. Todos sabemos o que nos conduziu a esta situação e quem são os responsáveis. Importa, agora, encontrar soluções que atenuem a severidade da austeridade. Em primeiro lugar, apesar de duvidar do cumprimento do Programa de Assistência Financeira, que só este ano obriga a uma redução da despesa de 30% e a um aumento da receita de 18%, é importante compatibilizar essa consolidação orçamental com medidas de incentivo à recuperação económica e à criação de emprego. Em segundo lugar, temos que evitar ruturas no frágil tecido social da Região. Para além dos apoios públicos, é crucial a ajuda que as instituições da sociedade, e cada um de nós, pode dar aos mais vulneráveis da comunidade. Esta entreajuda entre cidadãos, nas relações de vizinhança e proximidade, pode ser decisiva para reduzir os sacrifícios, a pobreza e a exclusão de muitos madeirenses. É por isso que não entendo a postura e discurso do Governo Regional e do PSD que continuam a estimular divergências e divisões na nossa sociedade. Este é um tempo de verdade e responsabilidade que exige união e solidariedade entre todos os madeirenses para travar o mais duro combate dos últimos 70 anos. É isto que têm que compreender.

José Manuel Rodrigues, Líder do CDS-Madeira