Inicio esta crónica lamentando o que se passou no Egipto, onde num simples jogo de futebol, aconteceu tudo menos a festa do desporto-rei. Muito terá de mudar no Egipto, um pais muito bonito mas que está a passar por momentos muito tristes e feios. Muito se está a passar em Portugal ao nível do desporto, todos os dias ouvimos falar de clubes com grandes dificuldades em conseguirem assumir os seus compromissos, jogadores a serem aliciados por agentes e outros curiosos que tentam, através daqueles, ganhar dinheiro fácil. Na Federação já se fala em nova reformulação dos quadros competitivos e na Liga, bem na Liga as coisas estão, como direi engraçadas. A grande conclusão ou lição que podemos tirar destas últimas eleições à LPFP é a seguinte, se queres ganhar eleições oferece aos eleitores aquilo que eles mais querem, neste caso, a manutenção na 1ª liga, como? Alarga-se de 16 clubes para 18, não descendo ninguém. Sendo esta proposta já um saboroso "doce", dê-se outro, então a negociação dos direitos televisivos passaria a ser negociada em bloco e não individualmente pelos clubes. Pergunto, quem, dos chamados clubes médios e pequenos da 1ª liga e a grande maioria dos clubes da 2ª Liga não votariam neste candidato? Mas será que ninguém se apercebeu que a esmola era muita? Ou será que o estado de necessidade da grande maioria dos clubes portugueses bloqueou a capacidade de discernimento dos dirigentes. O futebol português vive momentos difíceis em todo o seu edifício. António Fiúza, presidente do Gil Vicente dizia, nestes dias, que descer de divisão é ficar "ligado à máquina", eu penso que "ligados à máquina" já estão muitos clubes, em todas as divisões. Ninguém, neste momento de grande dificuldade está disposto a dar o braço a torcer e a reajustar, continuam todos de uma maneira ou outra a assobiar para o lado e a acreditar que alguém vai resolver desta ou daquela maneira, que será sempre possível um "arranjinho". Não é aumentando a 1ª Liga de 16 para 18 que se vai resolver coisíssima alguma. A 1ª Liga tem de ser sempre a elite de uma qualquer modalidade. Todos querem lá chegar e quando lá chegam desatam a "mendigar" jogadores aos chamados grandes. Mas esta seria uma medida desastrosa para um candidato, propor que só integrassem 1 e 2 liga, aqueles clubes que dessem garantias REAIS de que poderiam lá estar de forma sustentada mas como noventa e muitos por cento estão ligados à máquina, este candidato " morreria a nascença". Para muitos é melhor uma mentira doce que uma verdade crua! Se calhar por estas e outras o nosso pais está como está, "ligado à máquina!".
Duarte Vieira, Advogado