Emanuel Gaspar Venho por este meio demonstrar a minha mais profunda indignação e desolação pelo corte severo que recentemente sofreram as velhas, emblemáticas e raras árvores do Jardim Municipal de Machico, uma Coralina Abissínia e uma Sumaúma, provavelmente sem qualquer acompanhamento técnico. O seu porte majestoso enobrecia o próprio edifício da Câmara Municipal e eram as rainhas daquele pequeno jardim. Na época de floração os turistas não se cansavam de tirar fotos e estão mesmo identificadas, num roteiro botânico, como das mais belas e raras árvores da Madeira. Não se percebe o porquê da sua severa mutilação, pois os seus ramos não estavam a perturbar ou a incomodar qualquer caminho ou edifício, e se queriam podar podiam terem-se restringido apenas aos ramos mais baixos. Perdeu-se assim um ex-libris de Machico e irão levar muitos anos até que voltem a ser árvores frondosas e só assim podendo de novo florir para regalo dos nossos olhos. E receio mesmo que aquelas espécies de árvores tenham dificuldade em voltar a rebentar devido à radical poda que sofreram restando apenas quase os troncos. Involuntariamente podem-lhes terem dado a sentença de morte por ignóbil ignorância! Cometeu-se um atentado ao Património Natural de Machico! É uma dor de alma!