A vida económica é baseada na confiança recíproca entre os agentes que compõem a chamada "economia de mercado", mas a sua a expansão é sobretudo fruto de uma confiança dos agentes em relação ao futuro. Presentemente, assiste-se a um quadro de recessão, em que a massa monetária em circulação é escassa e em que não é, de todo, apetecível realizar qualquer tipo de investimento produtivo ou adquirir bens duradouros. Para além de não haver acesso a financiamento, paira um clima de incerteza e uma crise de expectativas. As "Famílias", leia-se cidadão comum, são muito afectadas por esta crise de confiança, reduzindo os níveis de consumo ou adiando-o por via da instabilidade do momento ou do pessimismo em relação ao futuro, verificando-se uma preferência pela liquidez. O "Estado", agente de credibilidade duvidosa será, porventura, o que mais contribui para o efeito "bola de neve", que coloca Portugal a nadar entre a austeridade e a recessão. As políticas pro-cíclicas de cariz contraccionista, que visam o ajustamento financeiro conduzem a um acentuar do clima recessivo, que traz consigo o mais variado tipo de problemas de ordem social e que deixam os cidadãos com a sensação de que os sacrifícios não passam de uma inutilidade. Apesar de tudo, não nos podemos esquecer que a economia, aliás, à semelhança do que acontece na vida real, funciona através de ciclos que intercalam recessões e expansões. Mesmo neste período penoso em que a confiança é exígua há que ter esperança. Importa, contudo, minimizar os impactos sociais desta crise e aproveitar o momento para corrigir males estruturais.

Rafael Freitas, Colaborador da Associação Académica da UMa